terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mundo Ao Contrário

Mundo Ao Contrário - Xutos & Pontapés (Universal)

JL - Têm um novo disco, que se intitula "O mundo ao contrário". O que retrata este disco?

Tim – Não foi feito como retrato de nada. Começámos por trabalhar as músicas e juntar as letras – o disco não se chamava "O mundo ao contrário". O Zé Pedro passou-me algumas coisas, misturámos tudo e, de repente, ficámos com a sensação que um tema que se chamava "Onde vais" não tinha refrão. Fez-se um onde entrou a frase "mundo ao contrário", que então começou a tomar conta da música. Depois começámos a ver o disco, do que as letras de "Zona limite", "Fim-de-semana", "Sentido norte" e outras tratavam e apercebemo-nos que havia uma inversão. Estava tudo ao contrário. Parecia que corria tudo bem, depois a coisa começava a andar e afinal o mundo não estava nada bem. Isto é, parece que está tudo "ok", mas os valores estão invertidos. Quer dizer, certas peças do tabuleiro estão de cabeça para baixo. Os patrões, por muitos alertas que se façam, vão continuar a querer pagar o menos possível aos empregados e à espera que eles trabalhem cada vez mais e melhor, os professores vão continuar a ser desconsiderados e depois os encarregados de educação querem que os filhos sejam muito bem-educados, tenham um futuro de sucesso e por aí fora. As pessoas estão a apostar em fins não olhando aos meios, desprezando-os até. Há uma série de coisas que pensamos que não estão a funcionar, as soluções estão à vista, mas prefere-se continuar a olhar para o lado e a viver neste "mundo ao contrário".

Entrevista de Elisabete Cruz e Jacinto Silva Duro, Jornal de Leiria

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