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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Popless

Popless (EMI, 2000)

- Face ao actual nivelar por baixo da música pop, pretendeu-se dar algum significado especial a este título?

Jorge Romão - Pop mais não há.

Rui Reininho - Super Pop. Não, é uma abstracção. Talvez uma maneira simpática de simplificar a coisa porque no final do disco não há nada a dizer e põe-se assim um rótulo: "Popless".

Entrevista de Eurico Nobre / DNmais - 25/03/2000


- Começando pelo princípio: a capa e o título do disco. «Popless», que é, evidentemente, um jogo de palavras com «topless», quer significar «sem pop», «despido» ou o quê?

RR - Deram-me na rua um «flyer» para um «topless show» e nós temos aquelas coisas onde pregamos notas do tipo «telefonar à mãe que faz anos amanhã». Mas acaba por ter a ver com isso. A primeira música é improvisada - que é uma coisa que eu já não fazia desde o «Independança». O produtor deixou-nos um bocadinho à solta. Apesar de brasileiro, era muito europeu, misterioso, bom garfo... Já sabíamos que, com o Jacques Morelenbaum, que trabalhou com o Sakamoto e o Caetano, não podia sair mal. O Toli estava com um pouco de medo, a bateria podia dar para o lado Paul Simon... Mas o homem deixou fazer, pôs só umas pinceladas, não estragou nada, pelo contrário. Cá, nunca ia sair «Divine Comedy» porque não há aquelas orquestrações que eu gostaria. Fica para o meu disco a solo quando todos os outros morrerem no acidente... Aquela ligeira que eu gosto, Marc Almond, António Calvário...

Entrevista de João Lisboa / Expresso, 01/04/2000

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

[phados]

[phados] - Lula Pena (Carbon7/Sabotage, 2000)

- O título do álbum sugere uma transcrição fonética da palavra fados, e na sua música, de facto, parece haver uma espécie de desconstrução sonora dos poemas, explorando as sílabas por trás das palavras. É assim?

É, embora tenha muito respeito pela palavra. Mas o músico tem a capacidade de libertar as palavras do seu sentido semântico, jogando em termos de frequência. Quero explorar a matéria da música.

Entrevista de João Miguel Tavares / DN mais, 15/04/2000

Post-Scriptum

Post-Scriptum - Cristina Branco (2000)

Em Fevereiro sairá o terceiro álbum, intitulado "Postscriptum" (título de um poema de Maria Teresa Horta), distribuído pela prestigiada editora francesa de música clássica Harmonia Mundi, com a qual Cristina Branco assinou contrato por cinco anos, em colaboração com a Universal Classics, que se propõe gravar o seu próximo trabalho. João Paulo Esteves da Silva será o convidado especial num dos temas. "Postscriptum", porque "há sempre coisas que ficam por dizer"...

Texto de Fernando Magalhães / Público, 28/01/2000

La Toilette des Étoiles

La Toilette des Étoiles - Belle Chase Hotel (Norte Sul, 2000)

"A ideia de fundo foi fazer um álbum mais temático. Um álbum com uma característica muito típica dos Belle Chase Hotel que são as narrativas de fuga, histórias de personagens incompatíveis com o quotidiano. Um título como "La Toilette des Étoiles" acaba por ser uma boa desculpa para criar uma certa ambiguidade: a "toilette" enquanto sanita ou enquanto abrilhantamento do toucador, um ambiguidade que pode muito bem definir o destino trágico das pessoas. Há quem nasça com a sensação de que a vida é uma coisa única que tem de embelezar e há quem veja tudo isto como um lampejo frouxo de luz de fim de tarde, um ocaso constante, e que por isso mais vale deitá-la pela sanita abaixo porque não vale de nada. Partindo desta situação entre o poético e o patético, procurámos fazer um álbum coerente, pelo menos à nossa maneira. É claro que a dispersão acabou por acontecer."

'La Toilette des Étoiles' é um álbum bem mais depurado, mais frio e bastante menos comemorativo que o anterior. Desta vez foram as letras que pintaram a música, tentaram ser elas mais doces que a própria música. No 'Fossa Nova' havia muitas músicas trágicas que tiveram um tratamento de contraponto. Uma das características desta banda é que a tensão entre a música e a história tem sempre uma intensidade muito grande. As letras nunca vão exaltar o que a música tem de mais agudo. Vão exactamente contrapor. E este é um álbum bem mais azul no sentido da frieza, no sentido de assumir personagens e histórias a céu aberto. No 'Fossa Nova' não eram tanto personagens contados, eram mais personagens a falar. Aqui há um trabalho maior de narrador, uma distância crítica maior. É como se tentássemos afastar-nos das personagens para tentar percebê-las melhor."

Entrevista de TIAGO LUZ PEDRO / Público, 27/10/2000


"La Toilette des Étoiles" é apenas uma forma de traduzir "Fossanova" para francês?

Acaba por ser. "Je vais à la toilette". Tanto pode ser "vou à fossa" como "vou-me maquilhar"... Previ mais ou menos que isto se pudesse começar a tornar (pelo menos da minha parte) uma banda escatológica. "Fossanova", de certa maneira, era um facilitismo, qualquer coisa podia caber naquele título, entre o escatológico e a referência à música de uma burguesia iluminada como era a bossanova. La Toilette des Étoiles, quando surgiu, também pensei que podia ser a sanita das estrelas. Há uma amargura e um cepticismo maior destas personagens. As estrelas são as convidadas especiais deste disco. Há quem nasça e tenha uma concepção da condição humana como algo absolutamente trágico onde não vale a pena investir em coisa nenhuma porque daqui a nada vai tudo pela sanita abaixo e outras pessoas que nascem com a ideia que isto é um período fugaz mas, por isso mesmo, é a pérola que deve ser mais trabalhada. Essa ambiguidade da "toilette" — neste caso, o embelezar das coisas — acabou por ser o que deixei ficar como a minha explicação oficial. O proximo, se calhar, vai chamar-se Cotonette On Earth, algo mais terra a terra. Estou, talvez, condenado ao meu extremo ser sempre a escatologia poética (ou patética, sei lá), a vertigem do esgoto, sabendo de antemão que todas as personagens que crio se vão escafoder no seu anonimato e insignificância e que já nascem desmoronadas. (2000)

Entrevista de João Lisboa / Expresso

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Lustro

Lustro - Clã (EMI, 2000)

– Donde vem o nome, "Lustro", tem a ver com experiência, com marcas do tempo…

MA – Tem a ver com a ideia de luta de opostos, contrastes, que descobrimos nas músicas. E descobrimos essa palavra – que é tão bonita quando escrita – que tem em si o lustro do veludo, das coisas mais nobres, como tem também o brilho das calças de ganga coçadas, do suor, do brilho de uso.

HG - Uma espécie de um espelho de matéria orgânica…

Entrevista de Sandra Oliveira/Noticias Magazine

sábado, 28 de agosto de 2010

Música Exótica Para Filmes, Rádio e Televisão

Música Exótica Para Filmes, Rádio e Televisão - Cool Hipnoise (Nortesul, 2000)

- O título do álbum tem algum significado especial?

T. - A ideia surgiu no final e relaciona-se com a citação do Álvaro de Campos. Mais uma vez trata-se de atribuir alguma unidade ao produto final. Quando iniciámos o álbum não tinhamos nenhum conceito para ele, mas curiosamente no final as coisas fizeram sentido. O termo "música exótica" surgiu depois de constatarmos que nos anos 50 músicos e orquestras ocidentais tentavam recriar sonoridades de outras culturas. De alguma forma é isso que nós fazemos. Criámos música que se relaciona com imensas referências que não têm nada a ver com a nossa música de origem.

Entrevista de Vítor Belanciano / Público, 26/05/2000

«O maior artista será o que menos se definir e o que escrever em mais géneros com mais contradições e dissemelhanças. Nenhum artista deverá ter só uma personalidade, dissipando assim a ficção grosseira de que é uno e indivisível» (Álvaro de Campos, in «Portugal Futurista»).
- Porquê este nome para o disco? Dá a ideia que gostam de identificar os trabalhos nos títulos que escolhem: "Nascer do Soul", "Missão Groove", "Música Exótica".

T.S.: Procuramos dar algumas pistas – temos consciência que a música que fazemos não é a música que as pessoas estão habituadas a ouvir no dia no dia, ou que faça parte de uma tradição da rádio ou da televisão.

J.G.: Teve a ver também com uma tentativa de unificar e, depois do trabalho feito, tentar perceber qual era o resultado e porque é que tínhamos feito assim. E vem tudo da nossa procura de ritmo e de paisagens exóticas. Por outro lado, tem a ver com os discos que se faziam nos anos 50 – aquela parte da catalogação. Eram os library records. A seguir a cada tema, vinha a descrição da música.

- Por isso é que fizeram também a descrição dos temas?

J.G.: Sim. As pessoas antes de ouvirem, podem escolher conforme o que lhes apetecer ouvir.

Entrevista de Rosário Nunes / Oninet, 02/08/2000

terça-feira, 23 de março de 2010

Código Verde

Código Verde - Luís Represas (Universal, 2000)
Quando concluí o disco, em termos de composição, percebi que todos os temas falavam de relações. E, no meu entender, todas as relações têm um código para se entrar nelas. O que importa é descobri-lo, descobrir esse "código verde" que dá passagem. Foi assim que surgiu o título do disco.
Entrevista de João Miguel Tavares / Diário de Notícias, 30/09/2000