Cruisin’ Alaska - The Weatherman (200-)
Como é que se passaste de um álbum onde fizeste tudo sozinho (Cruisin’ Alaska) para um em que estás rodeado de músicos, vozes, instrumentos?
No fundo, foi um caminho natural. O álbum anterior era uma viagem interior a sítios imaginários. Era muito centrado em mim, fui eu que fiz tudo: produzi, toquei os instrumentos todos. Este álbum tinha uma condição: ser um passo em frente. Não gosto de me repetir, não fazia sentido voltar a fazer o mesmo, por isso, a primeira coisa que achei que devia fazer era experimentar a sensação de dirigir outros músicos, senti necessidade de me rodear de gente. É como se fosse o outro lado da balança, já que aqui tenho muita gente à minha volta, depois de ter estado sozinho.
Entrevista de Cláudia Lomba/Rascunho.net, 20/04/2009
Cruisin' Alaska é um disco cozinhado em casa, um disco em que todos os instrumentos foram tocados por ti. Como foi o processo de composição dos temas?
Foi muito fluído e natural. Tudo começou com uma demo de cinco músicas, em que o único compromisso que assumi comigo mesmo foi o de fazer justiça à minha personalidade, e para isso teria de recorrer à espontaneidade. (...)
E como é que se processou a produção do disco? Quando é que o disco ficou pronto, quando é que deixaste de ter a vontade de acrescentar mais qualquer coisa e modificar a pintura?
Eu comecei a trabalhar no disco em Fevereiro deste ano e no início de Abril já estava praticamente pronto, com algumas pausas pelo meio. Numa dessas pausas fui para a Serra Nevada com um gravador e de lá trouxe material que usei na última faixa do disco, que funciona como uma colagem. Eu quis estar numa estância de ski para me conseguir imaginar a atravessar um Alaska imaginário. Quis tentar imprimir alguma coisa de vivência pessoal no meio de tanta ficção.
O artwork ficou da responsabilidade de Inês Amaro. Achas que a capa faz justiça ao conteúdo do disco?
Sim, completamente. Mais do que fazer justiça ao conteúdo do disco, faz justiça à minha personalidade. Aliás, emocionei-me quando a vi, especialmente por causa dos pinguins. A capa foi feita a partir de um brainstorm que eu fiz, de modo a ter a ver com a minha pessoa, com o meu imaginário. A ideia de ter pinguins a oferecer-me batido de coco em pleno Alaska, a prestarem-me reverência quando eu estou com cara de morsa, tudo isso remete para uma noite de passagem de ano em casa de uns amigos em que eu ingeri grandes quantidades de batido de coco, que como deves saber é uma bebida alcoólica. Depois disso, imaginei este tipo de situações que se vêem na capa. Por isso, é algo muito pessoal que diz muito acerca da minha pessoa e a Inês conseguiu trazer esses meus sonhos à realidade. Pode–se dizer que por vezes o meu cérebro funciona como uma espécie de mistura entre o Laranja Mecânica e os Monthy Python e só me apetece dizer e fazer disparates… mas também tenho um lado doce e melancólico.
Entrevista de André Gomes / bodyspace.net, 13/10/2005
http://bodyspace.net/entrevistas.php?ent_id=49
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