Iniciação a uma vida banal - o Manual - Da Weasel (EMI, 1999)
- No "3 Capítulo" estabeleceram o estilo Da Weasel, deste novo álbum esperar-se-ia um "quarto capítulo", o que não acontece. Por quê esta mudança de som?
Carlos "Pac" Nobre - Não foi tanto uma mudança de som. Este disco apanha um pouco tudo o que os Da Weasel fizeram até hoje, inclusive coisas que não foram editadas. O que marca a diferença é uma atitude mais positiva e descontraída em relação à música e à maneira de estar. Por outro lado, tivemos um trabalho de pré-produção (seis meses), que não tivemos no "3 Capítulo", para definirmos as ideias e o álbum acaba por ser mais versátil também por causa disso.
- Essa atitude mais descontraída reflecte-se nas letras, que costumavam ser mais "acusadoras"…
CPN - Sim, este álbum é menos denso, também menos tenso e cru do que o "3 Capítulo" que era um bocado "pra baixo". Este é mais "pra cima", está entre o "Dou-lhe com a Alma", um álbum super-idealista, e o "3 Capítulo", que era um bocado "down".
- O disco termina com uma faixa escondida ("O Manual"). Parece a suprema ironia: "nós tivemos este tempo a dizer que isto era muito banal, mas afinal… não é".
CPN - A ideia do álbum sempre teve duas abordagens. Uma era banal, no sentido das coisas simples que dão mais prazer na vida. E a outra a procura da banalização de coisas que não são banais mas que deveriam sê-lo porque são simples, apesar de complicadas: o amor, a paixão, a liberdade… Há esses dois lados, aquelas coisas que realmente são banais, no sentido de serem comuns e acessíveis a toda a gente e que podem dar um prazer imenso - seja beber um copo e estares com os teus amigos - e as outras que são mais difíceis de atingir mas deveriam ser banais.
Ana Marcela (Jornal Forum Estudante/Musicnet, Nov/1999
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