Lavrar Em Teu Peito - Janita Salomé (EMI, 1985)
Se entre a poesia popular e a de um José Afonso há afinidades notórias, mais dificil se torna estabelecer um elo visível de ligação entre elas e a obra de Fernando Pessoa, de quem também cantas no teu novo disco um poema, "Conta-me Contos, Ama....". Não será que essa diversidade de referências é indicio de dispersão ou de falta de coerência de "Lavrar em Teu Peito"?
De facto, não existe no disco um conteüdo, uma concepção ideológica subjacente a conferir-lhe essa tal coerência.
O que procurei Imprimir-lho não foi uma mensagem entendida nesse sentido, mas mais um estado de espirito. "Lavrar em Teu Peito" é ou quer ser a sagração do amor como forma superior de existir — o que o define e o estar enamorado, pelo espirito, pela vida, pelo próprio amor.
Nesse contexto, o poema de Pessoa enquadra-se perfeitamente, porque é também ele um poema de amor, de harmonia e fusão espiritual entre dois homens, o próprio poeta e Mario de Sá Carneiro.
Entrevista de jornal Blitz, 03/09/1985
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