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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Encanto da Lua

Encanto da Lua - Frei fado d'El Rei (Sony, 1998)

- A quem se deve a temática lunar deste vosso novo trabalho?

QUICO - Ao José Martins (baixo e badoloncelo), que é o elemento mais sonhador do grupo. a ele se deve a pesquisa de textos e o nome do álbum.

CARLA LOPES - O título-tema fala do encanto do Sol pela Lua. O contraste entre a noite e o dia. Não sei se é uma Lua demasiado bonitinha, como escreveu na crítica ao disco...

- Não acham então que é uma Lua bastante calma e sem grandes relevos? Ao nível da produção, por exemplo.

QUICO - Mesmo ao vivo, o grupo faz este tipo de som, a base são duas guitarras de nylon, um baixo acústico e percussão. Como teclista, nunca poderia fazer nada agreste, tinha de ser algo que encaixasse. Não há propriamente no disco um trabalho de produção, de limpeza ou de limagem de arestas. Num tema como "Encanto da Lua" não há, de facto, picos, é uma coisa muito polida e planante.

Mas tenho que reconhecer que por mais que grave, os sons gravados não são a mesma coisa que os sons feitos ao vivo. E este grupo, ao vivo, tem outra vida.

O tema em que Uxia canta, "O Anel do meu amigo", pertence ao cancioneiro galaico-português, a letra é em galego.

Entrevista de Fernando Magalhães / Público, 29/05/1998

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fossanova


Fossanova - Belle Chase Hotel (Norte Sul, 1998)

Quando o 'Fossanova' saiu, senti que tudo aquilo era um conjunto muito imperfeito, mas sem menosprezar a ideia de que havia uma certa honestidade e uma vontade de furar com a monotonia da chamada criatividade. A única ligação que posso fazer com o sacudir de música portuguesa antes feita por grupos como os Mler If Dada ou os Pop Dell' Arte não tem a ver com filiações estéticas, mas acima de tudo com uma atitude de libertinagem positiva. A modernidade das ofertas culturais no nosso país sofre sempre do mesmo problema: é demasiadamente moderna. E, como dizia a Coco Chanel, quem está na moda é quem está um bocadinho fora de moda. Não é por pudor à popularidade. É mais porque quem quer estrear uma coisa sente sempre pudor às fórmulas feitas. E isso dá algum leite-creme à eventual atitude artística."

Encontrei depois uma coisa muito boa no 'Fossa Nova': nunca senti a chamada vertigem do segundo álbum. O álbum abria caminhos para tudo, mas mesmo para tudo. Se a seguir aparecêssemos com um álbum intitulado "A Revolta das Máquinas", todo ele baseado na história de um homem que se apaixona por uma torradeira deprimida e tenta mostrar-lhe que não, que ela vale muito, ao ponto de a torradeira finalmente sentir que vive num mundo de torradeiras e de sistemas, cheia de amigos que vão lá a casa tomar um copo de óleo à noite, mesmo isso podíamos ter feito. Na verdade, todo o 'Fossa Nova' foi para mim um manifesto de irresolução."

"Foi esta a minha experiência social com o 'Fossa Nova', o que por um lado só veio provar que o nome do álbum, pessoal e colectivamente, foi uma coisa mesmo nostradâmica. Caramba, uma 'Fossa Nova' sempre renovada, num novo concerto ou num novo artigo de jornal. Se tivéssemos mais estofo para levar tudo na brincadeira talvez nos saíssemos melhor. Mas o faduncho prevaleceu e acabámos por chegar ao fim com um certo cansaço, fartos de nos aturar uns aos outros, fartos de quartos de hotel e de equívocos, equívocos e mais equívocos. Talvez daqui a um ano seja mais fácil, quando virmos as coisas com a distância de uma recordação e de grande aventura."

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Taco a Taco


Taco a Taco - Amélia Muge (Polygram, 1998)

Há uma espécie de ideia fundadora no caminhar do TACO A TACO: a relação Homem-tecnologia e as suas marcas na comunicação, ns significados e nos símbolos ao longo dos tempos. Os temas, ps desenhos, foram-me ajudando a pensar em coisas (...)

(...) descobrem-se relações entre os temas, s arranjos que os desenvolvem, as imagens à sua volta, criando tudo isto já novas pistas de trabalho. É um mundo de provocações, meórias, competências, que se vai organizando, que nos interroga, que se vais adesando de colaborações.

Hoje, TACO A TACO, embora tenha como lado mais visivel a proposta musical registada em CD com este nome, é acima de tudo um projecto que se deseja contaminar pelos diversos pulsares artísticos e técnicos vindos de deiferentes áreas e matérias de expressão-comunicação.

Em "Taco a Taco" com os jurados do Prémio José Afonso, MPP. 1999

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Vida de Um Dia


A Vida de Um Dia - José Peixoto (União Lisboa, 1998)

- Há alguma razão especial para a escolha do título?

"A Vida de Um Dia" pode ser um despertar de várias maneiras. É um espaço aberto para o interior. Para o infinito que pode ser o tempo. A medida do tempo é uma coisa muito relativa. A vida de um dia pode ser um todo. Onde cabe tudo
Entrevista de Fernando Magalhães / Público 17/07/1998

quarta-feira, 17 de março de 2010

Na Linha da Vida

Na Linha da Vida - Camané (EMI, 1998)

- Quis dizer alguma coisa quando escolheu para título do disco "Na Linha da Vida"?

Este título surge na sequência de uma série de espectáculos que tinha feito no Inatel. "Na Linha da Vida" é "nalinha do fado".

- Linha da vida é também, na quiromancia, a linha do destino... Acredita na fatalidade?

Acho que o destino somos nós que o fazemos diariamente, a forma como a gente vive no dia-a-dia, que se pode reflectir no futuro.

Entrevista de Fernando Magalhães / Público, 20/02/1998

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ar

Ar- Danças Ocultas (EMI, 1998)

FM – “Ar” respira ambientalismo por todos os poros...

ARTUR FERNANDES – Do título, o mais simples possível, à capa, com um mínimo de texto, a preocupação foi que a música pudesse dizer tudo a partir do elemento, o ar, que faz funcionar o nosso instrumento. Foi-se em busca de imagens que se inserissem no contexto estético abordado neste disco, esse tal ambientalismo ou paisagismo.

P. – Podemos falar de micropaisagens?

R. – Sem dúvida nenhuma. O reportório incluído tem bastantes pormenores. Poderíamos falar, quase, na teoria do caos, em que há o macropormenor, o médio pormenor e o micropormenor. Existe um balanço, um ritmo instalado e depois, aí dentro, aparece uma melodia deste, um pormenor daquele, uma resposta de um terceiro, até se chegar à densidade que procurámos para este disco.

P. – Onde é que foi tirada a foto da capa?

R. – Num local da serra do Caramulo chamado Urgueira, no concelho de Águeda. É Portugal, como poderia ser a Colômbia ou o Tibete.

Entrevista de Fernando Magalhães / Público, 19/06/1998 [Danças Ocultas respiram em novo disco: Ar de fole]
http://poeira-cosmica-fm.blogspot.com/search/label/Danças%20Ocultas

capa: http://filosofiadecurral.blogspot.com/2010/01/ir-para-uma-ilha-deserta-e-levar-um.html