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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tango

Tango - Vitorino (2009)

A – E em relação aos teus projectos, o que estás a preparar?
V – Agora, com o meu irmão Janita, vou fazer um disco sobre a moda alentejana, mas sofisticadíssimo, com textos do António Lobo Antunes, que se apaixonou pela moda alentejana. Vamos recriar a moda alentejana, o que é uma coisa perigosa… E, à semelhança do que fiz em Cuba, vou para Buenos Aires gravar 12 tangos com uma orquestra tradicional. O tango está a fazer um século e Portugal esteve muito ligado ao tango, aliás como todo o mundo, a partir dos anos 30. Há ligações muito interessantes dos portugueses ao tango, sobretudo dos algarvios, porque nos anos 20, 30 chegou a haver clubes de
tango no Algarve.

Leva-me Aos Fados

Leva-me Aos Fados - Ana Moura (Universal, 2009)

- O que é que Leva-me aos Fados tem que os outros discos seus não tinham?

Essencialmente, tem maturidade. Essa ideia passa mesmo pela foto da capa, em que estou a olhar de frente, olhos nos olhos. Já consigo encarar a câmara de frente. A maturidade é a principal diferença. Depois, tem algumas diferenças em termos musicais, como o facto de usar duas guitarras portuguesas, além da participação de compositores que eu nunca tinha cantado.

Jorge Manuel Lopes / Time Out, 20/10/2009

Em´Cantado

Em´Cantado - Rão Kyao (Universal, 2009)

- O teu longo namoro com o fado, que começou com o Fado Bailado há quase trinta anos, teve uma progressão lógica e tem o seu culminar, agora, em Em’Cantado. Este disco é a expressão máxima dessa relação com o fado?

Sim. Há, sem dúvida uma evolução, uma progressão. No Fado Bailado concentrei-me mais nos aspectos técnicos e em como eu poderia expressar-me bem, tocando saxofone, no território do fado. Passada essa primeira fase, de uma certa surpresa e que foi muito bem recebida, comecei a concentrar-me já noutros aspectos e questões que o fado me colocava: o fado mais tradicional; o fado-canção; os fadistas mais virados para o canto lamentoso, do deserto. E isso levou ao meu envolvimento com aqueles que têm mais a ver com a minha sensibilidade.

- Neste álbum há, pela primeira vez, fados compostos por ti. Foram feitos de raiz para o novo álbum ou têm sido compostos ao longo dos anos?

As duas coisas. Há fados que compus originalmente para o grande Manuel de Almeida. Eu produzi dois discos dele e compus coisas para ele. Dois desses temas compostos para o Manuel de Almeida foram retomados agora pelo Ricardo Ribeiro, “O Meu Amor”, que é um fado corrido, e o “Fado do Alentejo”, que está muito virado para a música árabe e do norte de África.

A Carminho não vai estar presente no CCB.

- Não. É muito difícil montar um espectáculo destes, por causa das diferentes agendas. Mas vão estar os outros todos: o Ricardo, a Manuela, o Camané, a Ana Sofia Varela e a Tânia Oleiro. E os dois lados do meu disco – os temas cantados e os instrumentais – vão cruzar-se ao longo do concerto.

António Pires / time Out, 02/02/2010

o lado A é um fado bailado cantado, olado B é instrumental

Coisas do Amor e do Mar

Coisas do Amor e do Mar - José Cid (Farol, 2009)

- O álbum era para se ter chamado «Clube dos Corações Solitários do Capitão Cid». Porque é que o título foi alterado?

Era demasiado colado. Já aqui está este tema (n.d.r. «Strawberry Fields Forever»). De resto, eu só poderia gravar duas versões: ou esta ou o «Fool On a Hill», por ser genial. Ao contrário do que se pensa, o «Strawberry Fields Forever» é uma homenagem a uma casa de apoio a jovens abandonados. Essa canção marcou o mundo.

Entrevista de Davide Pinheiro/Disco Digital, 07/10/2009

– Amor e mar dão o mote ao disco. Porquê estes dois temas?

Porque têm tudo a ver connosco, com o sentir e a alma portuguesa. Quis fazer um disco que nos tocasse e acho que isso está bem expresso, em particular nas baladas. ‘O Teu Corpo Sabe a Maré’, por exemplo, é também uma homenagem à minha prima, Maria Manuel Cid.

Entrevista de Luís Figueiredo Silva / Correio da Manha, 04/10/2009


1 Autora 200 Canções

1 Autora 200 Canções - Amélia Muge (Caracter, 2009)

- Como é que surgiu este concerto "1 Autora - 2002 Canções"?

Surgiu da sugestão do António Cunha da UGURU, de fazer um trabalho, que começaria por um concerto evidenciando o meu lado de autora compositora. Este foi o ponto de partida. O ponto de chegada foram as canções seleccionadas, os arranjos do José Martins, Filipe Raposo e José Manuel David, os convidados, as ambiencias, enfim,tudo o resto que faz com que o
público veja de um espectáculo, apenas a ponta de um grande iceberg.

- Trazer para palco as 202 canções de Amélia, numa só noite, seria uma concretização difícil. Acha que foi mais difícil fazer a selecção das canções para este concerto no CCB?

Não foi por ser difícil que não trouxe as 202 canções para o palco. Foi, à partida, porque não via nisso interesse nenhum. .. Uma selecção é sempre uma selecção possível. Como não se tratava de seleccionar uma meia dúzia de canções que poderiam ser consideradas " as melhores" para a posteridade, as opções foram um pouco partilhadas por mim e pelos arranjadores, a partir de 3 critérios principais: representar os meus álbuns, evocar intérpretes para quem já compus e previligiar canções com música e texto meus. Depois acrescentaram-se dois originais e as excepções que justificaram a regra.

- Este concerto contou com as participações especiais de Ana Moura e Gaiteiros de Lisboa. Como é que surgiram estes convites?

A Ana ainda não gravou ainda outro disco. Logo, o tema que ela canta de minha autoria, O Fado da Procura, ainda é muito recente. Não me parecia bem estar a cantá-lo. Logo, nada melhor do que convidá-la a fazê-lo. Para os Gaiteiros, só participei com textos nos temas deles. Não me pareceu interessante estar a fazer arranjos musicais para estes temas. Logo, seria óbvio também o convite. Ainda por cima, adoro o trabalho quer da Ana quer dos Gaiteiros e adoro cantar com eles.

Entrevista de Marisa Antunes / Inside, 07/12/2008

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Kronos

Kronos - Cristina Branco (Universal, 2009)

O tema central será o tempo – o álbum chamar-se-à Cronos –, no seu sentido mais lato. Eu parto sempre do título dos álbuns para a concepção, o único onde isso não aconteceu foi, justamente, neste sobre o José Afonso.

João Lisboa/Lishbuna, 02/12/2007

Há cerca de dois anos, aquando da publicação de Abril (centrado na reinterpretação de canções de José Afonso), já no final da entrevista, quase casualmente, Cristina Branco confessava-me que o álbum seguinte já estava em fase de pré-produção, "a gente não pode parar!". E, com um rigor superior ao de todos os profetas bíblicos, anunciava que "só sairá em 2009 e são doze poemas e doze compositores, todos portugueses. A intenção é que sejam os cantautores a compor: o Vitorino, o Janita (que fez apenas música para um poema fantástico da Hélia Correia), o Sérgio Godinho, tenho dois poemas do Júlio Pomar que gostava que fossem musicados pelo António Vitorino de Almeida, a letra para um tango do Vasco Graça Moura, dois poemas do Manuel Alegre escritos propositadamente para este disco e ainda deverão surgir outros nomes como o João Paulo Esteves da Silva, o Ricardo Dias e a Amélia Muge". Obedeceria a um tema central, o tempo em sentido lato, e teria como título Kronos. Com uma precisão de relojoaria suiça, na data prevista e com os intervenientes planeados, ei-lo pronto e magnífico.

Mas porquê o tempo como eixo conceptual? "Apetecia-me falar sobre isso, sobre o que perdi e ganhei, sobre a forma como evoluímos no tempo, mesmo fisicamente. Para além disso, passaram onze anos e dez discos, fazia-me sentido – com mais dois discos de permeio em que me permiti explorar o reportório das pessoas por quem tenho mais admiração na música portuguesa, a Amália e o José Afonso – fazer uma passagem para os cantautores portugueses. No fundo, são eles quem ainda está a escrever. O desafio que lancei foi, então, que me escrevessem um fado sobre o tempo". Um fado, exactamente um fado, ou uma canção – fado ou não-fado – sobre esse tema? "Um fado, pedi sempre um fado. Claro que a maioria deles não são fados. Alguns, o Zé Mário Branco, por exemplo, tiveram o cuidado de, já com a música feita, me terem ligado a dizer que não tinham composto um fado porque não era assim que me viam. O Ricardo que foi

João Lisboa/Lishbuna, 18/03/2009

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os Crimes do Dr. Estranho Amor e outras estórias

Os Crimes do Dr. Estranho Amor e outras estórias - Dr. Estranho Amor (2009)

- Há um conceito muito próprio neste disco e mesmo na vossa estética enquanto banda. De onde vêm essas referências e todo esse imaginário?

Todo o quotidiano acaba por nos influenciar e as coisas que nos tocam inspiram-nos ainda mais, e a arte é uma coisa com a qual nós temos uma relação forte, em todas as suas formas. O cinema, a escrita, a fotografia, a pintura, todas essas diferentes formas de arte nos tocam bastante e nos inspiram. Na nossa maneira de encarar todo o processo que é estar na música, desde a composição até à maneira como nos apresentamos em palco e até no art work, há sempre essa ligação. Se vamos fazer uma coisa em que há uma componente da imagem, tentamos criar também aí um universo que nos interessa. No caso do disco a que demos o nome de ‘Os Crimes do Dr. Estranho Amor e outras estórias’ quisémos explorar um bocado este ambiente mais soturno e misterioso, e fomos beber um bocadinho a filmes ou livros que nos transmitisse estes ambientes. Como por exemplo Jack The Ripper, o ambiente do sec. XIX que por um lado concentra este imaginário de um certo suspense. Por outro lado, é uma época em que as coisas eram menos rápidas e menos futeis, uma altura em que as pessoas se reuniam mais em terutlias, um período muito rico culturalmente e onde as pessoas se juntavam muito para debater ideias.

Por Andreia Arenga / Mundo Universitario, 18/06/2009

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Boato


Boato - J.P. Simões (Cantigas da Rua, 2009)

- Porque escolheu "Boato"?

É difícil dar uma notícia precisa sobre o que me define claramente como músico, no meio destas músicas todas. No fundo, a sensação que me dá é que não há nada assim muito claro naquelas canções todas, que falam de muitas outras pessoas. Não é muito claro o meu papel. Mas os temas podem servir para começar o boato de quem é aquele tipo por detrás daquele conjunto de canções. Acho que tudo o que se diz e o que se faz, na verdade são boatos. A segurança que temos naquilo que lemos nos jornais, que conhecemos e ouvimos falar, para mim é claramente cada vez mais um mundo de boatos. Também é uma proposta de piscar de olho à teoria do conhecimento.

Entrevista de Filipa Estrela/Destak, 20/04/2009

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Momentos

Momentos - Dulce Ponte (Farol, 2009)

Este ano, Dulce Pontes soprou 40 velas (nasceu a 8 de Abril de 1969 no Montijo) e comemora, nesta altura, 20 anos de carreira com a edição de Momentos, um disco duplo "que não é uma compilação", alerta. "É um álbum que serve para partilhar com o público aquilo que eu tenho feito nos últimos anos", começa por explicar. "A minha biografia está gravada, mas tenho vindo a registar todos os concertos desde há alguns anos para cá"..

Contudo, Dulce Pontes continua a ver-se como "uma artista completamente marginal" que não depende "da imprensa nem de campanhas de marketing". Sente-se triste com a comunicação social que "recebe a informação mas não a publica". Acto contínuo, "o público que não tem acesso à Internet não sabe o que ando a fazer e pensa que eu me afastei".

Certo é que tal como em outros momentos da sua carreira, a grande fatia dos concertos tem-se realizado "no estrangeiro" porque "em Portugal estamos duas semanas à espera de confirmar uma data". Mas, diz Dulce Pontes: "Não posso ficar no congelador à espera porque tenho contas para pagar, filhos..."

Hoje, como sempre, o seu caminho "é o da música portuguesa". Fala-se de um país "pequeno geograficamente, mas muito rico" em que cabem "o fado, a música medieval e o folclore". Dessa palete de sons "pesquisada por um senhor italiano (Michel Giacometti), nasce uma musicalidade "que continua a ser muito portuguesa". Uma lusitana paixão que é "muito maior que Lisboa".

Um ciclo que se fecha e outro que se inicia. Dulce Pontes considera que ainda lhe falta fazer "tudo" e não quer deixar que voz "lhe doa". Quer produzir outros artistas e compor, como já fez com Katia Guerreiro. Prometido está um segundo capítulo do mui reconhecido Primeiro Canto.

Artigo e entrevista de Davide Pinheiro, Diário de Notícias

Momentos é o álbum de carreira daquela a que podemos, sem qualquer risco, afirmar ser uma das divas nacionais. Uma voz arrepiante, que consegue exaltar os sentimentos mais profundos com o simples soltar de uma nota vibrante, alia-se a um percurso notável, avalizado por colaborações e troca de experiências com alguns dos maiores músicos e compositores do planeta e reconhecido pelo público de todo o mundo. Um percurso materializado em 17 canções. 17 momen-tos que se querem representativos de 20 anos de carreira. É caso para se dizer: silêncio que vai cantar a Dulce.

- Porquê a escolha destas 17 canções para representar os 20 anos de carreira? Que critério é que se segue para se conseguir esta selecção?

Pensa-se tanto num critério que depois acaba por se perder, até que se encontra de uma forma muito simples, que é: onde é que estão os momentos especiais? Que momentos é que, realmente, foram especiais, que te tocaram? Quais foram as pessoas importantes?

- E há alguma mais marcante?

Esse tipo de pergunta é a mesma coisa que eu ter 4 anos e estar numa loja só com caramelos e bolos de nata (risos)… Qual é que escolho? É difícil a resposta! Gosto da "Canção de Embalar" – gosto muito da "Canção de Embalar". É uma das canções mais emblemáticas do Zeca (Afonso) e acho que está bem conseguido o arranjo e o resultado final é interessante. É ligeiramente diferente do que fazemos ao vivo. Isto está sempre em transformação.

- E porquê este registo ao vivo?
Porque não há tempo para ir para estúdio… por acaso, há coisas gravadas em estúdio também, mas há muito tempo que eu não ia para estúdio. Uma das coisas que me aconteceu logo a seguir ao nascimento da minha filha, e ao longo destes anos todos, é que tenho coleccionado concertos, não só em áudio mas em vídeo também. E essa é a minha biografia viva e é alguma coisa que fica – pelo menos, para os meus filhos ouvirem, se lhes apetecer. E porquê ao vivo? Porque é isso que eu faço. Agora posso ter o tempo organizado de uma forma diferente – a pouco e pouco ter mais tempo para o lado familiar, dosear as coisas, não estar tanto tempo fora de casa. Já cansa!

Artigo completo na Arte Sonora nº 11 (Julho/Agosto 2009)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Hemisférios


Hemisférios - Dazkarieh (Hepta Trad, 2009)

E o novo álbum, «Hemisférios» - um duplo que apresenta no «Hemisfério A» temas originais e no «Hemisfério B» versões de temas tradicionais, mas num todo coerente e em que muitas vezes - se não houvesse essa indicação - dificilmente se adivinhariam quais os originais e quais as versões -, é a continuação e evolução lógica e bem-vinda desse álbum. Com algumas diferenças importantes: a voz de Joana Negrão integra-se agora, em perfeição absoluta, na massa sonora envolvente.

António Pires / Raizes e Antenas, 19/05/2009
http://raizeseantenas.blogspot.com/search/label/Dazkarieh

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fados de Amor e Pecado


Fados de Amor e Pecado - Ana Sofia Varela (iPlay, 2009)

"Fados de Amor e Pecado" é um projecto com um percurso bem longo, que começou ainda nos anos 90. Sem saber, estiveste na sua origem.

Tudo começou durante a Expo'98, com o espectáculo "De Sol a Lua - Flamenco e Fado", para o qual o João Gil e o João Monge tinham sido convidados. Estando já inserida nesse tal espectáculo de fado e flamenco, cantei dois dos temas que estão presentes neste disco, o "Fado de Amor e Pecado", que dá nome ao álbum, e "Estranha Vontade". Também participou nesse espectáculo o Camané, que cantava o "Lua de Todos", outro dos temas que estão no álbum. E tudo começa aí, a vontade de um dia fazer um álbum de fado, a aproximação ao universo do fado, a convivência com os fadistas... Inclusivamente o Monge chegou a escrever um álbum para a Aldina Duarte, e escreveu para outros fadistas, entre eles a Mísia. Esta dupla passou, cada vez mais, a beber de todo este mundo.

Talvez seja um pouco forte a palavra, mas este álbum parecia estar--te "predestinado"...

Sim, um pouco. Em 2007, eles falaram-me na questão de ser eu a cantar mas eu na altura não estava preparada porque tinha saído o disco do projecto "Sal", com o José Peixoto, o Fernando Júdice e o Viki. E eu, embora adorasse a ideia, tive que recusar. Depois o processo atrasou-se e acabei por seu eu, afinal, a cantar estes temas. Portanto, o destino tem muito que se lhe diga. Estava predestinada para este álbum - é isso mesmo.

Neste álbum, João Monge assume um ponto de vista feminino para contar as histórias que se materializam em cada fado. Nesse sentido, além de cantora, há aqui também um trabalho de actriz?

Foi um método de trabalho muito interessante, novo para mim. Isto porque, na sua globalidade, este álbum tem temas com os quais eu não me identifico. Há, por exemplo, um tema que fala de uma viúva e o "Fado de Amor e Pecado", um tema fortíssimo que é sobre uma mulher que mata o marido. Ou seja, no álbum, todo ele, que conta histórias de várias mulheres, eu tive que encarnar alguns personagens e, sim, tive que fazer um pouco trabalho de actriz, indo ao encontro do que o Monge pretendia. Ele disse-me: "Sim, é mesmo isso, é mesmo por aí que tens que ir, estás a interpretar a coisa como deve de ser". Isso não aconteceu tanto no outro disco que eu fiz, porque aí foi uma escolha mais minha, com temas com os quais me identificava muito mais. É um pouco essa a diferença.

Isso faz com que o sintas menos teu?

Não. Eu sinto este trabalho como meu. É um trabalho a três, é assim que eu o assumo - meu e dos "joões" - mas também o considero como o meu CD. São ambas as coisas. Porque o vivi intensamente e entreguei-me como se fosse meu. Portanto, é o meu disco, o meu segundo disco de fado, até porque estive no início de tudo.

Quem são estas mulheres que protagonizam estas 12 histórias?

São várias tipos de mulheres, todo o tipo de mulher e todo o tipo de amor. São histórias autónomas mas todas elas à volta do amor e do pecado, da traição, do ciúme, da saudade... Há a mulher que mata o marido, em "Fado de amor e pecado"; há a viúva, que sente o marido sempre presente, embora ele tenha já partido, tal era o amor que sentia. São histórias atravessadas por sentimentos muito fortes: ciúme, amor, ódio, raiva, desprezo... E eu, assim que vi os temas, senti que ia adorar fazer este disco, não só por ser algo de novo para mim, mas também por serem melodias e palavras fantásticas para se cantar. Fiquei muito feliz com o que me foi dado para poder dar voz, interpretação, a minha criatividade e a minha visão.

Entrevista de Carla Ferreira / Diário do Alentejo, 27/11/2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Nosy

Nosy - Gomo (EMI, 2009)

Um disco «só para curiosos»

Quanto ao nome do disco, Gomo diz que «Nosy» (narigudo, curioso, bisbilhoteiro) é uma referência ao tamanho do seu nariz, ao mesmo tempo que remete para a curiosidade em descobrir o novo trabalho para além dos singles.

«Eu não quero que as pessoas oiçam o single e pensem que já apanharam tudo sobre o disco, à semelhança do que aconteceu com o "Best Of" e o single "Feeling Alive". [O "Nosy"] tem ambientes muito diversos e só as pessoas mais curiosas é que vão querer explorar mais esse factor disco e não o factor single.»

Por João Carneiro da Silva/Iol.pt, 04/06/2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

White Works


White Works - João Paulo (Universal, 2009)

Jogando com o nome do disco: a música de Bica é "branca"?

O título foi, confesso, uma proposta minha. Não que a música seja, simplesmente, branca…a certa altura, reparei que, nos títulos que o Carlos dava as peças, a ideia de "branco" aparecia recorrentemente, quer na própria palavra "White Wall", "White Vivace", quer nas conotações da palavra "A Infanta Defunta", "Iceland"…e então lembrei-me de propor este traço comum, o nome da cor. Também teve algum peso na decisão por White Works o reparar na homofonia com o título do célebre poema «The White Birds» de W. B. Yeats.


Nota: Disco a solo onde o pianista trabalha repertório de Carlos Bica.