Momento - Pedro Abrunhosa (Universal, 2002)
Pedro Abrunhosa e os Bandemónio vão entrar em estúdio no dia 10 do próximo mês. O resultado do trabalho deverá ser tornado público até ao Verão. Parco em palavras sobre o quarto disco do grupo, Abrunhosa deixa, todavia, transparecer que o formato semi-acústico
apresentado no Festival de Mateus, em Agosto passado, e continuado em Viana do Castelo, no passado fim-de-semana, aponta para o que se vai passar no próximo trabalho.
"Há como que uma reformulação dos princípios básicos dos Bandemónio, que assentam na canção. Despidas de toda a parafernália, as canções funcionam no íntimo, no interior das pessoas", revelou.
Segundo o músico, que tomou o país de assalto no Verão de 94 com "Viagens" e viu o seu nome inscrito na capa da "Billboard Magazine", em Dezembro do mesmo ano, o álbum ainda não tem nome, apenas conceito: "O nome é sempre a última coisa que atribuo. Só terá nome depois de ganhar forma. Trata-se de um disco interior, com influências da música negra, do R&B. Enfim, um disco íntimo."
Artigo e entrevista de Luis Oliveira, Jornal de Notícias, 22/12/2001
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Sérgio Godinho de Volta ao Coliseu
Sérgio Godinho de Volta ao Coliseu - Sérgio Godinho (EMI, 200)
Sérgio Godinho de Volta ao Coliseu
28 de Fevereiro – 22H00
Há ciclos e ciclos na vida, muitos deles concêntricos, mas alargando os seus desenhos na mesma medida em que a vida se nos vai alargando – assim é qualquer pedrada no charco.
E outros que se vão multiplicando em pequenos outros circulos – aros que se espalham como o fumo da boca das canções.
Ambos são a verdade dos Coliseus, tão verdade como o Coliseu ser redondo e acolhedor.
Depois da grande aventura d’ “O Irmão do Meio”, eis-nos portanto de volta à casa reconhecida, aquela que partilhamos em muitas noites passadas. Quando o digo no plural, falo das canções que nele se vão renovando, falo do mesmo público e do outro que agora já existe, falo dos músicos e dos convidados que também são músicos, os que foram girando comigo nesta roda maluca que dura o tempo exacto das boas ondas de choque do show.
O grupo que toca há já alguns anos comigo, o grupo com quem toco (“que no es el mismo pero es igual”…) foi baptizado informalmente de “Os Assessores”, mas é claro que não sou Presidente de coisa nenhuma. Apenas presido à criatividade geral, enfim, escrevo-lhes os discursos que eles se fartam de alterar e apurar. Também nos rimos muito ao nos levarmos a sério. E levamo-nos a sério.
Foi assim que, no meio de muita estrada, vimos ao longe uma placa que dizia: Coliseu – Rua das Portas de Stº Antão. Antão? Entramos? Arrombamos as portas? Furamos o círculo, a ver como ele, magicamente, se recompõe, se amplia? Acertamos no centro do alvo?
A noite promete…
Sérgio Godinho
Sérgio Godinho de Volta ao Coliseu
28 de Fevereiro – 22H00
Há ciclos e ciclos na vida, muitos deles concêntricos, mas alargando os seus desenhos na mesma medida em que a vida se nos vai alargando – assim é qualquer pedrada no charco.
E outros que se vão multiplicando em pequenos outros circulos – aros que se espalham como o fumo da boca das canções.
Ambos são a verdade dos Coliseus, tão verdade como o Coliseu ser redondo e acolhedor.
Depois da grande aventura d’ “O Irmão do Meio”, eis-nos portanto de volta à casa reconhecida, aquela que partilhamos em muitas noites passadas. Quando o digo no plural, falo das canções que nele se vão renovando, falo do mesmo público e do outro que agora já existe, falo dos músicos e dos convidados que também são músicos, os que foram girando comigo nesta roda maluca que dura o tempo exacto das boas ondas de choque do show.
O grupo que toca há já alguns anos comigo, o grupo com quem toco (“que no es el mismo pero es igual”…) foi baptizado informalmente de “Os Assessores”, mas é claro que não sou Presidente de coisa nenhuma. Apenas presido à criatividade geral, enfim, escrevo-lhes os discursos que eles se fartam de alterar e apurar. Também nos rimos muito ao nos levarmos a sério. E levamo-nos a sério.
Foi assim que, no meio de muita estrada, vimos ao longe uma placa que dizia: Coliseu – Rua das Portas de Stº Antão. Antão? Entramos? Arrombamos as portas? Furamos o círculo, a ver como ele, magicamente, se recompõe, se amplia? Acertamos no centro do alvo?
A noite promete…
Sérgio Godinho
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Nove e Meia no Maria Matos
Nove e Meia no Maria Matos - Sérgio Godinho (Universal, )
"Nove e Meia no Maria Matos", o novo disco ao vivo de Sérgio Godinho & Os Assessores com lançamento marcado para dia 28 deste mês, reúne 18 temas de diferentes períodos da sua carreira, recuperando desde os inesquecíveis "A Democracia", "Liberdade", "O Primeiro Dia" ou "Com um Brilhozinho nos Olhos" até aos mais recentes "Às Vezes o Amor", "O Velho Samurai" ou "O Rei do Zum Zum". A música de Sérgio Godinho mantém o mesmo espírito lúdico e interventivo, muito particular. Aos 62 anos, o "escritor de canções" continua a sentir o prazer de jogar com as palavras e de reinterpretar temas que falam sobre paixões e inquietações, muitas das quais geradas dentro de um ambiente politico-social muito diferente do actual. "Penso que um dos motivos porque muita gente nova gosta das minhas canções é porque reencontram pontos afectivos dentro das histórias, dos conceitos, das interrogações, que se reportam à sua própria vida. Fazem soar uma pequena campainha de inquietação, de prazer... de revolta também", afirma.
Em contraponto com o ambiente artificial do estúdio, Sérgio Godinho continua a ter uma predilecção por discos ao vivo. O palco, diz, é "um exercício de risco calculado" onde "as canções estão em permanente transformação". Após a sua saída da EMI, dentro do contexto de reestruturação e de redução do seu catálogo nacional, "Nove e Meia no Maria Matos" assinala o regresso do músico à sua antiga editora, actual Universal. "É Tão Bom", o primeiro single deste novo disco, foi criado originalmente para a série infantil "Os Amigos de Gaspar", transmitida pela RTP nos anos oitenta.
Jorge Simão / Expresso
Sérgio Godinho lança este mês o álbum ao vivo "Nove e meia no Maria Matos", um "exercício de memória" da vida nos palcos, que assinala ainda a transferência do músico da EMI para a Universal.
"Nove e meia no Maria Matos", gravado numa série de espectáculos que decorreu em 2007 naquela sala lisboeta, é o quinto álbum ao vivo de Sérgio Godinho, sendo, por isso, mais um objecto de partilha com o seu público.
"É uma forma de não esquecer os concertos, é o testemunhar de um determinado momento da vida nos palcos que não esteve acessível a toda a gente", disse Sérgio Godinho em entrevista à agência Lusa. São 18 canções, seis delas retiradas de "Ligação Directa", o mais recente de originais, unidas por arranjos de Nuno Rafael, músico que acompanha Sérgio Godinho há cerca de sete anos. Aos temas mais recentes, Sérgio Godinho adicionou canções que nunca tinham tido muita vida de palco, como "Homem-Fantasma" ou "Dias úteis", e outras quase impossíveis de deixar de fora, como "O primeiro dia" e "Com um brilhozinho nos olhos", que têm mais de vinte anos. Para primeiro single deste álbum surge o inesperado "É tão bom", tema da série televisiva infantil dos anos 1980 "Os amigos de Gaspar", que Sérgio Godinho resolveu recentemente incluir no alinhamento ao vivo por "exigência" do público que tem hoje entre 30 e 35 anos. "Aconteceu várias vezes ao vivo pedirem-me para cantar o `É tão bom´ e cada vez que a cantamos há assim uma espécie de `bruá´, sobretudo de uma certa geração e talvez dos pais", conta Sérgio Godinho. São canções que criam empatias com os vários públicos que o têm acompanhado ao longo da carreira musical, desde os que guardam vinis antigos aos que o vêem no Youtube. "Eu olho-me ao espelho e sei que o tempo passa, mas eu transporto em mim diferentes idades da minha vida", diz.
"Nove e meia no Maria Matos" é também um disco de transição da EMI para a Universal, a casa discográfica à qual Sérgio Godinho regressa. A saída da EMI, em 2007, "foi precipitada por uma retracção do catálogo, de retracções brutais do mercado e de o centro de decisões ter sido deslocado", esclarece o cantautor. Apesar de o mesmo estar a acontecer na Universal, com a saída de Tozé Brito e as decisões a serem tomados a nível ibérico, Sérgio Godinho recorda que esta editora é uma casa que conhece muito bem, onde já esteve antes e editou dez discos. Transferências à parte, o músico tenta desligar-se do lado mais burocrático do sistema editorial, sublinhando que as suas "concentrações são mais criativas, de integridade criativa e de liberdade". Por isso é que, além da edição do álbum, Sérgio Godinho se prepara para regressar ao teatro e ser outra personagem - que não o Sérgio Godinho-cantor - numa peça de teatro de José Maria Vieira Mendes que Jorge Silva Melo vai estrear em Abril. "Já não fazia teatro há muito tempo, talvez desde o início dos anos 90, mas desta vez o Jorge Silva Melo queria muito que eu entrasse", assinala o músico, referindo que a peça se chama "Onde vamos morar" e que é uma "história de relações familiares". Sérgio Godinho entende que estes desvios do universo da composição musical são naturais e recorda as peças "A mandrágora", encenada por Ricardo Pais, e "Quem pode, pode", dirigida por João Canijo, como duas das participações que considerou estimulantes. "Tenho uma certa necessidade de me descentrar de mim próprio, de não estar sempre a olhar para o umbigo, de alimentar a carreira, tenho de ter outros focos de interesse", pondera. O músico revela o segredo: "Não podemos estar sempre a olhar para nós, senão o ego fica com algumas sujidades". A música portuguesa agradece.
Fonte: RTP com Agência Lusa
"Nove e Meia no Maria Matos", o novo disco ao vivo de Sérgio Godinho & Os Assessores com lançamento marcado para dia 28 deste mês, reúne 18 temas de diferentes períodos da sua carreira, recuperando desde os inesquecíveis "A Democracia", "Liberdade", "O Primeiro Dia" ou "Com um Brilhozinho nos Olhos" até aos mais recentes "Às Vezes o Amor", "O Velho Samurai" ou "O Rei do Zum Zum". A música de Sérgio Godinho mantém o mesmo espírito lúdico e interventivo, muito particular. Aos 62 anos, o "escritor de canções" continua a sentir o prazer de jogar com as palavras e de reinterpretar temas que falam sobre paixões e inquietações, muitas das quais geradas dentro de um ambiente politico-social muito diferente do actual. "Penso que um dos motivos porque muita gente nova gosta das minhas canções é porque reencontram pontos afectivos dentro das histórias, dos conceitos, das interrogações, que se reportam à sua própria vida. Fazem soar uma pequena campainha de inquietação, de prazer... de revolta também", afirma.
Em contraponto com o ambiente artificial do estúdio, Sérgio Godinho continua a ter uma predilecção por discos ao vivo. O palco, diz, é "um exercício de risco calculado" onde "as canções estão em permanente transformação". Após a sua saída da EMI, dentro do contexto de reestruturação e de redução do seu catálogo nacional, "Nove e Meia no Maria Matos" assinala o regresso do músico à sua antiga editora, actual Universal. "É Tão Bom", o primeiro single deste novo disco, foi criado originalmente para a série infantil "Os Amigos de Gaspar", transmitida pela RTP nos anos oitenta.
Jorge Simão / Expresso
Sérgio Godinho lança este mês o álbum ao vivo "Nove e meia no Maria Matos", um "exercício de memória" da vida nos palcos, que assinala ainda a transferência do músico da EMI para a Universal.
"Nove e meia no Maria Matos", gravado numa série de espectáculos que decorreu em 2007 naquela sala lisboeta, é o quinto álbum ao vivo de Sérgio Godinho, sendo, por isso, mais um objecto de partilha com o seu público.
"É uma forma de não esquecer os concertos, é o testemunhar de um determinado momento da vida nos palcos que não esteve acessível a toda a gente", disse Sérgio Godinho em entrevista à agência Lusa. São 18 canções, seis delas retiradas de "Ligação Directa", o mais recente de originais, unidas por arranjos de Nuno Rafael, músico que acompanha Sérgio Godinho há cerca de sete anos. Aos temas mais recentes, Sérgio Godinho adicionou canções que nunca tinham tido muita vida de palco, como "Homem-Fantasma" ou "Dias úteis", e outras quase impossíveis de deixar de fora, como "O primeiro dia" e "Com um brilhozinho nos olhos", que têm mais de vinte anos. Para primeiro single deste álbum surge o inesperado "É tão bom", tema da série televisiva infantil dos anos 1980 "Os amigos de Gaspar", que Sérgio Godinho resolveu recentemente incluir no alinhamento ao vivo por "exigência" do público que tem hoje entre 30 e 35 anos. "Aconteceu várias vezes ao vivo pedirem-me para cantar o `É tão bom´ e cada vez que a cantamos há assim uma espécie de `bruá´, sobretudo de uma certa geração e talvez dos pais", conta Sérgio Godinho. São canções que criam empatias com os vários públicos que o têm acompanhado ao longo da carreira musical, desde os que guardam vinis antigos aos que o vêem no Youtube. "Eu olho-me ao espelho e sei que o tempo passa, mas eu transporto em mim diferentes idades da minha vida", diz.
"Nove e meia no Maria Matos" é também um disco de transição da EMI para a Universal, a casa discográfica à qual Sérgio Godinho regressa. A saída da EMI, em 2007, "foi precipitada por uma retracção do catálogo, de retracções brutais do mercado e de o centro de decisões ter sido deslocado", esclarece o cantautor. Apesar de o mesmo estar a acontecer na Universal, com a saída de Tozé Brito e as decisões a serem tomados a nível ibérico, Sérgio Godinho recorda que esta editora é uma casa que conhece muito bem, onde já esteve antes e editou dez discos. Transferências à parte, o músico tenta desligar-se do lado mais burocrático do sistema editorial, sublinhando que as suas "concentrações são mais criativas, de integridade criativa e de liberdade". Por isso é que, além da edição do álbum, Sérgio Godinho se prepara para regressar ao teatro e ser outra personagem - que não o Sérgio Godinho-cantor - numa peça de teatro de José Maria Vieira Mendes que Jorge Silva Melo vai estrear em Abril. "Já não fazia teatro há muito tempo, talvez desde o início dos anos 90, mas desta vez o Jorge Silva Melo queria muito que eu entrasse", assinala o músico, referindo que a peça se chama "Onde vamos morar" e que é uma "história de relações familiares". Sérgio Godinho entende que estes desvios do universo da composição musical são naturais e recorda as peças "A mandrágora", encenada por Ricardo Pais, e "Quem pode, pode", dirigida por João Canijo, como duas das participações que considerou estimulantes. "Tenho uma certa necessidade de me descentrar de mim próprio, de não estar sempre a olhar para o umbigo, de alimentar a carreira, tenho de ter outros focos de interesse", pondera. O músico revela o segredo: "Não podemos estar sempre a olhar para nós, senão o ego fica com algumas sujidades". A música portuguesa agradece.
Fonte: RTP com Agência Lusa
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Leva-me Aos Fados
Leva-me Aos Fados - Ana Moura (Universal, 2009)
- O que é que Leva-me aos Fados tem que os outros discos seus não tinham?
Essencialmente, tem maturidade. Essa ideia passa mesmo pela foto da capa, em que estou a olhar de frente, olhos nos olhos. Já consigo encarar a câmara de frente. A maturidade é a principal diferença. Depois, tem algumas diferenças em termos musicais, como o facto de usar duas guitarras portuguesas, além da participação de compositores que eu nunca tinha cantado.
Jorge Manuel Lopes / Time Out, 20/10/2009
- O que é que Leva-me aos Fados tem que os outros discos seus não tinham?
Essencialmente, tem maturidade. Essa ideia passa mesmo pela foto da capa, em que estou a olhar de frente, olhos nos olhos. Já consigo encarar a câmara de frente. A maturidade é a principal diferença. Depois, tem algumas diferenças em termos musicais, como o facto de usar duas guitarras portuguesas, além da participação de compositores que eu nunca tinha cantado.
Jorge Manuel Lopes / Time Out, 20/10/2009
Em´Cantado
Em´Cantado - Rão Kyao (Universal, 2009)
- O teu longo namoro com o fado, que começou com o Fado Bailado há quase trinta anos, teve uma progressão lógica e tem o seu culminar, agora, em Em’Cantado. Este disco é a expressão máxima dessa relação com o fado?
Sim. Há, sem dúvida uma evolução, uma progressão. No Fado Bailado concentrei-me mais nos aspectos técnicos e em como eu poderia expressar-me bem, tocando saxofone, no território do fado. Passada essa primeira fase, de uma certa surpresa e que foi muito bem recebida, comecei a concentrar-me já noutros aspectos e questões que o fado me colocava: o fado mais tradicional; o fado-canção; os fadistas mais virados para o canto lamentoso, do deserto. E isso levou ao meu envolvimento com aqueles que têm mais a ver com a minha sensibilidade.
- O teu longo namoro com o fado, que começou com o Fado Bailado há quase trinta anos, teve uma progressão lógica e tem o seu culminar, agora, em Em’Cantado. Este disco é a expressão máxima dessa relação com o fado?
Sim. Há, sem dúvida uma evolução, uma progressão. No Fado Bailado concentrei-me mais nos aspectos técnicos e em como eu poderia expressar-me bem, tocando saxofone, no território do fado. Passada essa primeira fase, de uma certa surpresa e que foi muito bem recebida, comecei a concentrar-me já noutros aspectos e questões que o fado me colocava: o fado mais tradicional; o fado-canção; os fadistas mais virados para o canto lamentoso, do deserto. E isso levou ao meu envolvimento com aqueles que têm mais a ver com a minha sensibilidade.
- Neste álbum há, pela primeira vez, fados compostos por ti. Foram feitos de raiz para o novo álbum ou têm sido compostos ao longo dos anos?
As duas coisas. Há fados que compus originalmente para o grande Manuel de Almeida. Eu produzi dois discos dele e compus coisas para ele. Dois desses temas compostos para o Manuel de Almeida foram retomados agora pelo Ricardo Ribeiro, “O Meu Amor”, que é um fado corrido, e o “Fado do Alentejo”, que está muito virado para a música árabe e do norte de África.
A Carminho não vai estar presente no CCB.
- Não. É muito difícil montar um espectáculo destes, por causa das diferentes agendas. Mas vão estar os outros todos: o Ricardo, a Manuela, o Camané, a Ana Sofia Varela e a Tânia Oleiro. E os dois lados do meu disco – os temas cantados e os instrumentais – vão cruzar-se ao longo do concerto.
António Pires / time Out, 02/02/2010
As duas coisas. Há fados que compus originalmente para o grande Manuel de Almeida. Eu produzi dois discos dele e compus coisas para ele. Dois desses temas compostos para o Manuel de Almeida foram retomados agora pelo Ricardo Ribeiro, “O Meu Amor”, que é um fado corrido, e o “Fado do Alentejo”, que está muito virado para a música árabe e do norte de África.
A Carminho não vai estar presente no CCB.
- Não. É muito difícil montar um espectáculo destes, por causa das diferentes agendas. Mas vão estar os outros todos: o Ricardo, a Manuela, o Camané, a Ana Sofia Varela e a Tânia Oleiro. E os dois lados do meu disco – os temas cantados e os instrumentais – vão cruzar-se ao longo do concerto.
António Pires / time Out, 02/02/2010
o lado A é um fado bailado cantado, olado B é instrumental
Selos e Borboletas
Selos e Borboletas - António Pinho vargas (EMI)
"Sigo muito aquela perspectiva do António Pinho Vargas (músico de jazz). Ele tem um álbum chamado "Selos e Borboletas". Perguntaram-lhe porquê. Ele disse que, quem só vê selos, não sabe o que perde da beleza das borboletas. E quem só vê borboletas não sabe o que perde da beleza dos selos. Quem só vê política não sabe o que perde em não se interessar por outras coisas", defende.
Carlos Matias (politico) a o Mirante, 30/01/2009
"Sigo muito aquela perspectiva do António Pinho Vargas (músico de jazz). Ele tem um álbum chamado "Selos e Borboletas". Perguntaram-lhe porquê. Ele disse que, quem só vê selos, não sabe o que perde da beleza das borboletas. E quem só vê borboletas não sabe o que perde da beleza dos selos. Quem só vê política não sabe o que perde em não se interessar por outras coisas", defende.
Carlos Matias (politico) a o Mirante, 30/01/2009
domingo, 7 de novembro de 2010
A way to bleed your lover
A way to bleed your lover - Blind Zero (Universal)
Ouviu-se "A way to bleed your lover", o quarto álbum dos Blind Zero, lançado esta semana.
O novo trabalho "é de alguma ruptura em termos de som e de composição", explica Miguel Guedes, vocalista. Estava na altura de mostrar uma coisa diferente, mais perfeccionista e mais pensada. Ao novo disco chamam-lhe "a cor do sangue", por ter tonalidades viva."Quisemos um ambiente que não fosse tão negro quanto o anterior, que era essencialmente preto e branco", esclarece o principal compositor do grupo.
""A way to bleed your lover" é uma maneira de nos sangrarmos a nós próprios, porque nós somos o nosso objecto de amor". Ali, entram personagens disfuncionais que são, afinal, autobiográficas na inspiração. As letras, Miguel Guedes escreve-as com quem respira. "Não ando às voltas com as mesmas palavras. Tento encontrar um bom seguimento para os primeiros versos, até que tudo entra nos carris".
Entrevista de Anabela Rei/Jn
MG – Quanto à capa e à contracapa e à parte interior do disco, queríamos que, desta vez, houvesse um reforço do imaginário das canções pelo recurso à fotografia. Quisemos pictorizar algumas das canções, facilitando também, de alguma forma, a interpretação das pessoas. Nós vemos nos dias que correm que as pessoas não têm tempo para interpretar o que quer que seja, nem sequer para ouvir um disco sentadas. A maior parte das pessoas ouve os discos no carro, enquanto foge do trânsito e ouve os discos entre noticiários. Em relação aos nossos discos em particular, tem havido essa dificuldade de interpretação. E nós também não somos uma banda muito evidente, as letras não são muito concretas, não falam de coisas muito palpáveis, falam mais de coisas interiores. E, se por um lado, isso é bom porque nos cria um certo refúgio onde nós nos sentimos bem, por outro, também nos cria algum drama pela incapacidade que, às vezes, parece que temos de comunicar com as pessoas no sentido de não passar o nosso imaginário, que é um imaginário denso, negro e obtuso. O público de Lynch também não é o público massivo. Desta vez, quisemos que para cada canção, cada um de nós assumisse um papel de acordo com a canção e que recriasse um bocado o ambiente e que, de alguma forma, facilitasse não a vida às pessoas mas a intromissão das pessoas nas canções, que é o que nós queremos.
- O primeiro single extraído do álbum, “You Owe Us Blood”, acaba por sintetizar o espírito contido no título do disco. Há algum conceito por detrás do nome e do álbum em si?
MG – Não há um conceito unificador. Não é um álbum conceptual nem tem pretensões a isso. Acho que há um fio condutor que tem a ver com as temáticas do disco, que são bastante negras, depressivas e urbanas, que falam sobre personagens perturbadas, psicóticas, disfuncionais, que não lidam bem com o envelhecimento. Fala de pânico, de suicídio, de sangue, de morte física e actividade cerebral em simultâneo. Portanto, são temas um pouco pesados e complicados de abordar. E que são abordados de uma forma menos subtil que a sonoridade. As letras são um bocado mais agressivas, embora não sejam tão demonstrativas e talvez as pessoas não sintam essa agressividade porque não incorporam. Fala-se de sentimentos tenebrosos neste disco e, portanto, “A Way to Bleed Your Lover” é uma tentativa não conseguida – não gosto de títulos que reduzam o disco e penso que este não o faz –, é um título que joga na ambiguidade do disco e mesmo na nossa ambiguidade no processo de feitura deste disco. “A Way To Bleed Your Lover”, de um modo literal, pode ser uma forma de fazer sangrar ou esvaziar o teu objecto de amor ou de desejo. O sangramento, normalmente, é interpretado de uma forma bastante carnívora, sempre do lado mais terrorífico. Mas sangramento, aqui, tem um sentido duplo: é, simultaneamente, isso e um acto de formação. “Bleed”, no sentido de esvaziar para poder voltar a encher, que é também o processo de criação deste disco. Depois do “One Silent Accident” e tentando esquecer o nosso percurso para trás, apesar de sabermos que iríamos encontrar alguns pontos de contacto, tentámos reinventar-nos e fazer um disco que tivesse o menos possível que ver com o resto. Deixa-me apenas concluir que, numa altura em que se fala tanto da sensibilização da música portuguesa e das questões da língua, eu acho que as pessoas que lêem a Mondo Bizarre têm a mesma opinião que eu, que nós temos. Em relação à língua, isto é uma grande palhaçada. É pegar no pior ponto possível. Pretender defender a música portuguesa reduzindo-a à língua é a menor das questões. Infelizmente, havia muito por onde pegar e é um desprezo enorme por uma data de músicos novos e uma geração nova de pessoas, que estão a fazer alguma coisa pela identidade cultural deste país e que não quer construir a identidade deste país da mesma forma que se construiu durante décadas de salazarismo. E gostaria que no debate sobre a música portuguesa os argumentos invocados fossem sobretudo a sensibilização de que há coisas que se estão a passar, uma sensibilização para a escuta. Mais preocupante do que não se comprarem discos é não saber que eles existem.
Entrevista de Helder Gomes / Mondo Bizarre # 15
Ouviu-se "A way to bleed your lover", o quarto álbum dos Blind Zero, lançado esta semana.
O novo trabalho "é de alguma ruptura em termos de som e de composição", explica Miguel Guedes, vocalista. Estava na altura de mostrar uma coisa diferente, mais perfeccionista e mais pensada. Ao novo disco chamam-lhe "a cor do sangue", por ter tonalidades viva."Quisemos um ambiente que não fosse tão negro quanto o anterior, que era essencialmente preto e branco", esclarece o principal compositor do grupo.
""A way to bleed your lover" é uma maneira de nos sangrarmos a nós próprios, porque nós somos o nosso objecto de amor". Ali, entram personagens disfuncionais que são, afinal, autobiográficas na inspiração. As letras, Miguel Guedes escreve-as com quem respira. "Não ando às voltas com as mesmas palavras. Tento encontrar um bom seguimento para os primeiros versos, até que tudo entra nos carris".
Entrevista de Anabela Rei/Jn
MG – Quanto à capa e à contracapa e à parte interior do disco, queríamos que, desta vez, houvesse um reforço do imaginário das canções pelo recurso à fotografia. Quisemos pictorizar algumas das canções, facilitando também, de alguma forma, a interpretação das pessoas. Nós vemos nos dias que correm que as pessoas não têm tempo para interpretar o que quer que seja, nem sequer para ouvir um disco sentadas. A maior parte das pessoas ouve os discos no carro, enquanto foge do trânsito e ouve os discos entre noticiários. Em relação aos nossos discos em particular, tem havido essa dificuldade de interpretação. E nós também não somos uma banda muito evidente, as letras não são muito concretas, não falam de coisas muito palpáveis, falam mais de coisas interiores. E, se por um lado, isso é bom porque nos cria um certo refúgio onde nós nos sentimos bem, por outro, também nos cria algum drama pela incapacidade que, às vezes, parece que temos de comunicar com as pessoas no sentido de não passar o nosso imaginário, que é um imaginário denso, negro e obtuso. O público de Lynch também não é o público massivo. Desta vez, quisemos que para cada canção, cada um de nós assumisse um papel de acordo com a canção e que recriasse um bocado o ambiente e que, de alguma forma, facilitasse não a vida às pessoas mas a intromissão das pessoas nas canções, que é o que nós queremos.
- O primeiro single extraído do álbum, “You Owe Us Blood”, acaba por sintetizar o espírito contido no título do disco. Há algum conceito por detrás do nome e do álbum em si?
MG – Não há um conceito unificador. Não é um álbum conceptual nem tem pretensões a isso. Acho que há um fio condutor que tem a ver com as temáticas do disco, que são bastante negras, depressivas e urbanas, que falam sobre personagens perturbadas, psicóticas, disfuncionais, que não lidam bem com o envelhecimento. Fala de pânico, de suicídio, de sangue, de morte física e actividade cerebral em simultâneo. Portanto, são temas um pouco pesados e complicados de abordar. E que são abordados de uma forma menos subtil que a sonoridade. As letras são um bocado mais agressivas, embora não sejam tão demonstrativas e talvez as pessoas não sintam essa agressividade porque não incorporam. Fala-se de sentimentos tenebrosos neste disco e, portanto, “A Way to Bleed Your Lover” é uma tentativa não conseguida – não gosto de títulos que reduzam o disco e penso que este não o faz –, é um título que joga na ambiguidade do disco e mesmo na nossa ambiguidade no processo de feitura deste disco. “A Way To Bleed Your Lover”, de um modo literal, pode ser uma forma de fazer sangrar ou esvaziar o teu objecto de amor ou de desejo. O sangramento, normalmente, é interpretado de uma forma bastante carnívora, sempre do lado mais terrorífico. Mas sangramento, aqui, tem um sentido duplo: é, simultaneamente, isso e um acto de formação. “Bleed”, no sentido de esvaziar para poder voltar a encher, que é também o processo de criação deste disco. Depois do “One Silent Accident” e tentando esquecer o nosso percurso para trás, apesar de sabermos que iríamos encontrar alguns pontos de contacto, tentámos reinventar-nos e fazer um disco que tivesse o menos possível que ver com o resto. Deixa-me apenas concluir que, numa altura em que se fala tanto da sensibilização da música portuguesa e das questões da língua, eu acho que as pessoas que lêem a Mondo Bizarre têm a mesma opinião que eu, que nós temos. Em relação à língua, isto é uma grande palhaçada. É pegar no pior ponto possível. Pretender defender a música portuguesa reduzindo-a à língua é a menor das questões. Infelizmente, havia muito por onde pegar e é um desprezo enorme por uma data de músicos novos e uma geração nova de pessoas, que estão a fazer alguma coisa pela identidade cultural deste país e que não quer construir a identidade deste país da mesma forma que se construiu durante décadas de salazarismo. E gostaria que no debate sobre a música portuguesa os argumentos invocados fossem sobretudo a sensibilização de que há coisas que se estão a passar, uma sensibilização para a escuta. Mais preocupante do que não se comprarem discos é não saber que eles existem.
Entrevista de Helder Gomes / Mondo Bizarre # 15
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
CONtradições
Contradições - Claud ()
- Diz que "CONtradições" é mais que um disco, é um passaporte para cantar e uma alegria para quem o ouve. Quer explicar melhor estas "ideias"?
Quando digo que "CONtradições" é mais que um disco, quero dizer que ele não nasce só da vontade de ter um disco gravado e sim a possibilidade que ele traz de ser tocado ao vivo, com tudo de bom que isso tem e que ao mesmo tempo traga alegrias a quem o ouve. Um disco para mim é um passaporte para a realização de várias coisas, desde todo o processo de criação, gravação, até ao espectáculo.
- Este disco chama-se "CONtradições". Porquê?
Vou explicar o nome do disco como já disse várias vezes, "CONtradições" pretende explicar todo o desenho musical do projecto, que no fundo passa pela CONtradição entre a música tradicional e os seus instrumentos com a música electrónica e COM tradições Portuguesas. Não sei se o nome explicou esta ideia, espero que sim...
Entrevista de Portugal Rebelde, 16/08/2007
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Mappa do Coração
Mappa do Coração - Vozes da Rádio (BMG, 1997)domingo, 20 de dezembro de 2009
Twice the Humbling Sun

Twice the Humbling Sun - Old Jerusalem (Borland, 2005)
Acerca da capa do Twice the Humbling Sun, o que é que te inspiram as ilustrações da Helena Reis? Que pretendes que elas tragam ao álbum?
Não sei dizer... A capa existia, já pensada como capa, antes de o álbum estar feito. Não há uma ligação no sentido de a capa ilustrar a música. Acabou por mostrar-se adequada de forma um pouco lateral. Porque, de facto, faz lembrar o estar fechado, o escuro..., que se podem associar a este disco. Por isso, a ligação que eventualmente exista é puramente estética.
Entrevista de Eugénia Azevedo / Bodyspace.net 14/11/2005
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