+Canções Subterrâneas - A Naifa (Sony, 2004)
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Norte
Norte - Jorge Palma (EMI, 2004)
Quando soube que o Mário Barreiros não só estava disposto a produzir o meu CD, como teria muito gosto em fazê-lo, percebi que era altura de meter mãos à obra. Agosto foi o mês escolhido, "bora p"ró Norte! O Elvis Costello tinha-se antecipado na ideia do título, mas acho que ninguém se vai ralar muito com isso.
Texto de Jorge Palma, Setembro 2004
Re-Definições
Re-Definições - Da Weasel (EMI, 2004)
O título do álbum, "Re-Definições", diz muito. "Houve um repensar na forma de fazer as coisas, no próprio método de trabalho e concepção musical. Se calhar, aí, está mais apurado o som. Tentámos até ao limite procurar o som perfeito em termos de agradabilidade sonora. Somos músicos completamente diferentes uns dos outros, com 'backgrounds' distintos. Às vezes, torna-se complicado reunir, num álbum, canções com o mesmo equilíbrio. Desta vez acho que conseguimos um equilíbrio maior."
Definições, redefinições, o que é que mudou, o que é que se mantém? "Somos a mesma banda, mantém-se a procura incessante de novos caminhos, novas abordagens. Mas ainda sentimos que nos falta muito por fazer. Parece que é o primeiro álbum outra vez", explica João Nobre. "O que mudou foi que procurámos trabalhar de forma mais madura, com mais paciência, tentando controlar a nossa irracionalidade no estúdio. Foi mais 'responsável'. Perdemos mais tempo a procurar as soluções ideais. Também estivemos mais tempo em estúdio. E, pela primeira vez, deixámos alguns temas de fora que achámos não estarem à altura dos outros."
As incursões "hardcore" mantêm-se, assegurando cargas ruidosas - "neste álbum temos um dos temas mais pesados de sempre da carreira dos Da Weasel, 'Loja (Canção do Carocho)'" -, bem como os interlúdios musicais, espécie de zonas de descompressão, São "pequenos apontamentos criados espontaneamente" que, diz João Nobre, atestam "a rudeza das gravações". Batida latejante, guitarra samplada, refrão viciante: reconhecem? "Re-Tratamento" é o primeiro "single" do álbum, que já se ouve. Chamem-lhe "hip-pop", se quiserem. "Fazemos um som que se chama Da Weasel. Até os nossos fãs discutem entre si e ninguém se decide em relação a um estilo."
Entrevista de Kathleen Gomes / Público, 30/04/2004
sábado, 11 de setembro de 2010
Rosa Carne
Rosa Carne - Clã (EMI, 2004)
- Algum motivo especial para a escolha do título do álbum?
MA – "Rosa Carne" é uma expressão que está na letra da canção "Aqui Na Terra", escrita pela Regina Guimarães. Foi das últimas letras que apareceram. Quando surgiu, as canções já estavam alinhavadas e encontrávamo-nos à procura de um nome para o disco. Havia uma lista enorme de hipóteses, mas quando vimos a expressão "Rosa Carne" na letra do tema, achámos que era a ideal para definir o álbum. Houve um coincidência curiosa: sendo feitas de forma dispersa e por vários autores, as letras das canções traziam quase todas uma mulher ou o universo feminino como personagem. "Rosa Carne" é uma expressão muito feminina. Gera um certo apelo que nos agrada. Cruza a analogia das flores com as mulheres e reflecte-se nos temas abordados no disco.
Entrevista de Filipe Rodrigues da Silva/Diário Digital, 03/05/2004
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Feeding The Machine

Feeding The Machine - X-Wife (Norte Sul, 2004)
- Como é que surgiu o título do álbum? Acham que representa, de alguma forma, a sensação dominante do álbum?
O título do álbum surgiu em conversa com uma amiga minha (Vicky) que acabaria por fazer o nosso vídeo "Rockin" Rio". Foi em Londres, num coffee shop. Estávamos a ter uma conversa sobre a necessidade de se fazer coisas e criar coisas e fugir um bocado ao emprego das nove às cinco. Em conversa, ela disse que "you"ve got to feed the machine", e aquilo soou-me bem. Basicamente quer dizer que tens que fazer coisas que te satisfaçam pessoalmente e te dêem gozo. Não podes passar toda a vida a fazer algo que achas uma perda de tempo. É preciso alimentar a máquina para ela continuar a funcionar. A máquina é o cérebro. Tens que o manter activo.
Entrevista de André Gomes/Bodyspace, 29/04/2004
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Best Of
Best Of - Gomo (Universal, 2004)- Não receia que o chamem pretencioso por lançar o primeiro disco com o título de ‘Best Of’?
Sei que muitos pensam isso de mim. Em relação a qualquer outro artista, eu próprio acharia esse título pretencioso. Mas, no meu caso, as coisas podem ser vistas de outra forma por tudo o que está para trás de Gomo, as maquetas, as músicas e as letras. Gomo é muito virado para o humor e ‘Best Of’ é mais um recurso humorístico e mais uma forma de gozar comigo próprio.
Entrevista de Miguel Azevedo, Correio da Manhã, 20/02/2004
"Greatest Hits" já era o nome de uma maqueta dos Orange, antiga banda de Paulo Gouveia.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Transfado
Transfado - Anamar (CNM, 2004)TRANSFADO, O QUE É? Música lusa, “tanguera”, ibérica, transatlântica, intemporal, “transfádica”. Fado e latinidade, africanidade, Tango, Milonga, Morna, Rumba, Habanera...prazer. Canções vibrantes. Impacto teatral. Voz profunda. Piano, contrabaixo e guitarra portuguesa. Música para a alma. Para os sentidos. Para o corpo Musica intimista para ouvir alto, muito alto. Transfado é universal, como nós. Fados, novos, quentes, antigos, amados, com outros ritmos e sonoridades. À esfíngica intensidade fadista somam-se outras emoções, positivas, estimulantes. Novas letras para melodias carismáticas e canções inéditas, imprevistas. Poetas eternos e letristas contemporâneos habitam o fado com outras palavras, porque Transfado é anti-tragédia, anti-depressivo, auto-motivante, cúmplice, pró-activo. Sim, é um Cd. E um espectáculo. E um manifesto. Viva a vida. Obrigada.
(texto contido no press release)
"O disco teve um caminho longo. Começou quando o Tiago Torres da Silva, o meu desencaminhador profissional, me disse 'Ana, está na hora. Ou voltas ou não voltas. Mas se voltas é melhor despachares-te.' Reequacionei muitas coisas, fiz um balanço do que estava para trás (por isso saiu aquela antologia pela Universal) e resolvi partir para um novo projecto. Aí o Tiago, que estava ligado à ZonaMúsica, às edições de fado, sugeriu que podia ser uma pedrada no charco eu fazer um disco de fado tradicional."
Mas ela, depois de pensar muito sobre o assunto, recusou: "Disse-lhe que não era possível, que não conseguia, até porque não sou fadista. Podia era, na senda do que tinha vindo a fazer ao longo da minha vida, fazer alguma coisa à volta do fado. Daí surgiu o conceito do 'Transfado', juntando a latinidade ibérica àquilo ao canto da alma, que também consta do tango, do flamenco e da música africana. Abalançámo-nos então a um projecto ambicioso: unir esses conceitos sem colagens forçadas, o que implicava juntar dois instrumentos poderosíssimos, o piano argentino e a guitarra portuguesa. Houve um trabalho aturado com os músicos, que louvo sistematicamente, porque se no disco se consegue encontrar um som uno a eles se deve."
Texto e entrevista de Nuno Pacheco / Público, 03/12/2004
terça-feira, 2 de março de 2010
Um Amor Infinito

Um Amor Infinito - Madredeus (EMI, 2004)
O novo álbum dos Madredeus, «Um Amor Infinito», é ao mesmo tempo o fechar de um ciclo e um agradecimento aos seus fãs e à sua cidade de origem, Lisboa. A palavra a Pedro Ayres Magalhães...
«Um Amor Infinito» é o novo conjunto de canções dos Madredeus. Canções que falam, algumas delas, de Lisboa, cidade que assistiu ao nascimento do grupo mas que, ao longo de anos de viagens contínuas, só de vez em quando é morada habitual de alguns dos músicos dos Madredeus. Não por acaso, «Um Amor Infinito» tem um sub-título, em letras mais pequeninas, «Lisboa 2004». Diz Pedro Ayres (fundador, guitarrista e ainda o principal compositor do grupo): «É como se fosse a assinatura de um quadro... Nós temos o desidério de fazer uma música universal, de tocar para muitos públicos diferentes, mas as nossas obras correspondem a um período, como se fosse o período de um pintor ou de um escultor ou de um fotógrafo». E, antes ainda de explicar este reacender da paixão por Lisboa, Pedro explica o conceito de «período artístico»: «Isto pressupõe a existência de um atelier, de uma oficina, em constante aperfeiçoamento, e em que cada período cria um reportório para si próprio que tenta satisfazer melhor que o anterior as características estilísticas, históricas, do grupo, e as actuais». E Lisboa?... «Neste caso, o disco foi gravado em Lisboa - o nosso último disco que tinha sido gravado em Lisboa foi o «Existir» [1990] - e corresponde a uma mudança de estratégia do grupo: antes do «Movimento» tocávamos o ano todo ininterruptamente, e a partir do «Movimento», o grupo, para se manter unido, decidiu só tocar 15 dias por mês. E esta fase é aquilo que eu chamo "a fase do acampamento em Lisboa". E isso tornou-nos, de novo, cidadãos de Lisboa, porque há anos que não púnhamos cá os pés. Este disco tem treze canções, mas ficaram muitas de fora: em cada disco, que acaba por ser o reportório de concerto que vamos apresentar a seguir, preparamos sempre outras canções para o concerto que não entram no disco. E neste reportório estão canções inspiradas ou dedicadas a Lisboa, e estão também canções destinadas à juventude de todo o mundo, um pouco como a "Canção aos Novos", como agradecimento a todos aqueles que nos ouviram e acarinharam ao longo destes anos todos...».
O reportório de «Um Amor Infinito» é, na prática, o reportório do quinto concerto apresentar pelos Madredeus. Um disco - e a digressão que aí vem - que marca, também o fechar de um ciclo do grupo: «Temos a sensação de que o grupo vai ter que, depois disto, renovar-se de alguma forma. Neste disco atingimos a mais sofisticada criatividade que é possível dentro do contexto de desenvolvimento deste grupo. Não vejo isto como chegar aos nossos limites, mas mais como chegar aos limites do tempo... Nunca soubemos o nosso futuro, como ainda não sabemos... e quis escrever uma canção chamada "Um Amor Infinito" porque quis que ficasse na memória do nosso público como o agradecimento final dos Madredeus, a grande vénia ao extraordinário estímulo que recebemos de tantas minorias em tantos lugares do mundo - e falo em minorias porque o Madredeus é um grupo completamente fora do mainstream: é um grupo sem bateria, que canta em português... mas que foi recebido nos grandes teatros do mundo para apresentar todos os seus concertos... Os Madredeus, em quase todo o lado, são só conhecidos por algumas elites: veja-se, por exemplo, a relação da comunidade emigrante portuguesa com os Madredeus, que é praticamente nula; nós tocamos em Paris, por exemplo, e há portugueses mas há muitos mais franceses...».
O conceito por trás do álbum não se cinge, no entanto, às duas vertentes já referidas. O instrumental «O Olival» passa por músicas de várias épocas e vários lugares e tem, segundo Pedro Ayres, um objectivo que pode ser traduzível por palavras: «A oliveira é a árvore de Jerusalém, do Médio Oriente... O símbolo dos Templários era uma folha de oliveira e a minha inspiração para esse tema veio da linha de castelos templários ao longo da fronteira portuguesa... e seguindo essa linha percebe-se onde estava o agressor, percebe-se que não estava do lado de cá porque os castelos eram construídos para defesa. E fiz esse tema também para chamar a atenção para o estado de muitos desses castelos, que estão em ruínas, largados ao abandono, e que deveriam ser recuperados. Poderiam ser um chamariz turístico valiosíssimo, com gente de toda a Europa a vir visitar o roteiro dos castelos dos Templários: mais do que o vinho, mais do que a praia, mais do que o Manuelino...».
Essa preocupação com o passado e com a História de Portugal não é estranha a todo o percurso criativo dos Madredeus: «Sim, os Madredeus continuam a encenar a Saudade: são uma mulher [Teresa Salgueiro] sozinha em palco com os músicos lá atrás a fazer uma música que emula o mar, que emula o vento; e aquela mulher espera que alguma coisa aconteça, não se sabe muito bem o quê...». E acrescenta: «A música dos Madredeus é toda feita para a Teresa: ou quando ela canta, ou quando ela se cala... E todo o reportório dos Madredeus pode ser visto como se fosse uma colecção de vestidos para a Teresa. E numa certa época fica-lhe bem o amarelo, e noutra época fica-lhe bem o azul... Eu, como director artístico do grupo, tento ser sempre sensível quando escolho as canções que vamos levar para o palco e/ou para as gravações. Para além de que a identificação dos Madredeus ao passado é feito através da Teresa, e das duas guitarras clássicas, mas principalmente da Teresa».
Texto e entrevista de António Pires / Blitz, Maio de 2004
Os discos «Um Amor Infinito» e «Faluas do Tejo» (editado em 2005) foram registados nas mesmas sessões de gravação.
O novo álbum dos Madredeus, «Um Amor Infinito», é ao mesmo tempo o fechar de um ciclo e um agradecimento aos seus fãs e à sua cidade de origem, Lisboa. A palavra a Pedro Ayres Magalhães...
«Um Amor Infinito» é o novo conjunto de canções dos Madredeus. Canções que falam, algumas delas, de Lisboa, cidade que assistiu ao nascimento do grupo mas que, ao longo de anos de viagens contínuas, só de vez em quando é morada habitual de alguns dos músicos dos Madredeus. Não por acaso, «Um Amor Infinito» tem um sub-título, em letras mais pequeninas, «Lisboa 2004». Diz Pedro Ayres (fundador, guitarrista e ainda o principal compositor do grupo): «É como se fosse a assinatura de um quadro... Nós temos o desidério de fazer uma música universal, de tocar para muitos públicos diferentes, mas as nossas obras correspondem a um período, como se fosse o período de um pintor ou de um escultor ou de um fotógrafo». E, antes ainda de explicar este reacender da paixão por Lisboa, Pedro explica o conceito de «período artístico»: «Isto pressupõe a existência de um atelier, de uma oficina, em constante aperfeiçoamento, e em que cada período cria um reportório para si próprio que tenta satisfazer melhor que o anterior as características estilísticas, históricas, do grupo, e as actuais». E Lisboa?... «Neste caso, o disco foi gravado em Lisboa - o nosso último disco que tinha sido gravado em Lisboa foi o «Existir» [1990] - e corresponde a uma mudança de estratégia do grupo: antes do «Movimento» tocávamos o ano todo ininterruptamente, e a partir do «Movimento», o grupo, para se manter unido, decidiu só tocar 15 dias por mês. E esta fase é aquilo que eu chamo "a fase do acampamento em Lisboa". E isso tornou-nos, de novo, cidadãos de Lisboa, porque há anos que não púnhamos cá os pés. Este disco tem treze canções, mas ficaram muitas de fora: em cada disco, que acaba por ser o reportório de concerto que vamos apresentar a seguir, preparamos sempre outras canções para o concerto que não entram no disco. E neste reportório estão canções inspiradas ou dedicadas a Lisboa, e estão também canções destinadas à juventude de todo o mundo, um pouco como a "Canção aos Novos", como agradecimento a todos aqueles que nos ouviram e acarinharam ao longo destes anos todos...».
O reportório de «Um Amor Infinito» é, na prática, o reportório do quinto concerto apresentar pelos Madredeus. Um disco - e a digressão que aí vem - que marca, também o fechar de um ciclo do grupo: «Temos a sensação de que o grupo vai ter que, depois disto, renovar-se de alguma forma. Neste disco atingimos a mais sofisticada criatividade que é possível dentro do contexto de desenvolvimento deste grupo. Não vejo isto como chegar aos nossos limites, mas mais como chegar aos limites do tempo... Nunca soubemos o nosso futuro, como ainda não sabemos... e quis escrever uma canção chamada "Um Amor Infinito" porque quis que ficasse na memória do nosso público como o agradecimento final dos Madredeus, a grande vénia ao extraordinário estímulo que recebemos de tantas minorias em tantos lugares do mundo - e falo em minorias porque o Madredeus é um grupo completamente fora do mainstream: é um grupo sem bateria, que canta em português... mas que foi recebido nos grandes teatros do mundo para apresentar todos os seus concertos... Os Madredeus, em quase todo o lado, são só conhecidos por algumas elites: veja-se, por exemplo, a relação da comunidade emigrante portuguesa com os Madredeus, que é praticamente nula; nós tocamos em Paris, por exemplo, e há portugueses mas há muitos mais franceses...».
O conceito por trás do álbum não se cinge, no entanto, às duas vertentes já referidas. O instrumental «O Olival» passa por músicas de várias épocas e vários lugares e tem, segundo Pedro Ayres, um objectivo que pode ser traduzível por palavras: «A oliveira é a árvore de Jerusalém, do Médio Oriente... O símbolo dos Templários era uma folha de oliveira e a minha inspiração para esse tema veio da linha de castelos templários ao longo da fronteira portuguesa... e seguindo essa linha percebe-se onde estava o agressor, percebe-se que não estava do lado de cá porque os castelos eram construídos para defesa. E fiz esse tema também para chamar a atenção para o estado de muitos desses castelos, que estão em ruínas, largados ao abandono, e que deveriam ser recuperados. Poderiam ser um chamariz turístico valiosíssimo, com gente de toda a Europa a vir visitar o roteiro dos castelos dos Templários: mais do que o vinho, mais do que a praia, mais do que o Manuelino...».
Essa preocupação com o passado e com a História de Portugal não é estranha a todo o percurso criativo dos Madredeus: «Sim, os Madredeus continuam a encenar a Saudade: são uma mulher [Teresa Salgueiro] sozinha em palco com os músicos lá atrás a fazer uma música que emula o mar, que emula o vento; e aquela mulher espera que alguma coisa aconteça, não se sabe muito bem o quê...». E acrescenta: «A música dos Madredeus é toda feita para a Teresa: ou quando ela canta, ou quando ela se cala... E todo o reportório dos Madredeus pode ser visto como se fosse uma colecção de vestidos para a Teresa. E numa certa época fica-lhe bem o amarelo, e noutra época fica-lhe bem o azul... Eu, como director artístico do grupo, tento ser sempre sensível quando escolho as canções que vamos levar para o palco e/ou para as gravações. Para além de que a identificação dos Madredeus ao passado é feito através da Teresa, e das duas guitarras clássicas, mas principalmente da Teresa».
Texto e entrevista de António Pires / Blitz, Maio de 2004
Os discos «Um Amor Infinito» e «Faluas do Tejo» (editado em 2005) foram registados nas mesmas sessões de gravação.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Resistir É Vencer

Resistir É Vencer - José Mário Branco (EMI, 2004)
O álbum chama-se «Resistir É Vencer», uma frase inspirada na resistência timorense. Como é que se consegue, ainda, resistir noutros lados? Em Portugal? Na Europa? No Mundo?
É preciso ver que esse lema não significa «se tu resistires tu vais vencer» mas sim «resistir é já uma vitória». E resistir a quê? Resistir ao inimigo, aos imensos «muros de Berlim» que ainda aí continuam, aos obstáculos que nos aparecem no caminho, mas também resistir aos muros e obstáculos que estão dentro de nós. É uma referência à nossa luta contra os nossos próprios limites. E isso é muito palpável em qualquer criação artística, nomeadamente na música: o compositor é aquele que ouve a música antes dos outros; é a luta contra o silêncio, é organizar os sons desorganizados que estão dentro da nossa cabeça e depois transmiti-los aos outros. Porque é que ainda canto estas canções?... Vivo bem, tenho uma boa casa, tenho um carro à porta, o frigorífico cheio de comida, de que é que me queixo?... Queixo-me porque percebi que ser de esquerda é não conseguir viver bem com a dor dos outros. É não conseguir ser feliz. Porque acordo, olho para o espelho e o que vejo é uma pessoa dorida com a dor...
Entrevista de António Pires / Blitz
Capa: detalhe de pintura de Júlio Pomar
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