terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Em´Cantado

Em´Cantado - Rão Kyao (Universal, 2009)

- O teu longo namoro com o fado, que começou com o Fado Bailado há quase trinta anos, teve uma progressão lógica e tem o seu culminar, agora, em Em’Cantado. Este disco é a expressão máxima dessa relação com o fado?

Sim. Há, sem dúvida uma evolução, uma progressão. No Fado Bailado concentrei-me mais nos aspectos técnicos e em como eu poderia expressar-me bem, tocando saxofone, no território do fado. Passada essa primeira fase, de uma certa surpresa e que foi muito bem recebida, comecei a concentrar-me já noutros aspectos e questões que o fado me colocava: o fado mais tradicional; o fado-canção; os fadistas mais virados para o canto lamentoso, do deserto. E isso levou ao meu envolvimento com aqueles que têm mais a ver com a minha sensibilidade.

- Neste álbum há, pela primeira vez, fados compostos por ti. Foram feitos de raiz para o novo álbum ou têm sido compostos ao longo dos anos?

As duas coisas. Há fados que compus originalmente para o grande Manuel de Almeida. Eu produzi dois discos dele e compus coisas para ele. Dois desses temas compostos para o Manuel de Almeida foram retomados agora pelo Ricardo Ribeiro, “O Meu Amor”, que é um fado corrido, e o “Fado do Alentejo”, que está muito virado para a música árabe e do norte de África.

A Carminho não vai estar presente no CCB.

- Não. É muito difícil montar um espectáculo destes, por causa das diferentes agendas. Mas vão estar os outros todos: o Ricardo, a Manuela, o Camané, a Ana Sofia Varela e a Tânia Oleiro. E os dois lados do meu disco – os temas cantados e os instrumentais – vão cruzar-se ao longo do concerto.

António Pires / time Out, 02/02/2010

o lado A é um fado bailado cantado, olado B é instrumental

Sem comentários:

Enviar um comentário