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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ainda É Noite

Ainda É Noite - Dwelling (Equilibrium Music, 2007)

De entre 11, o tema homónimo foi escolhido para primeiro single. Que características tem este tema que lhe conferem a dignidade de representar os restantes?

Foi o primeiro tema que escrevemos, a par do "Fujo De Mi". É o único que tem um formato mais de canção. Tem um quase refrão que não é bem um refrão, numa estrutura mais convencional. A letra e a própria atmosfera da música têm muito a ver com aquilo que nós pretendemos para o disco todo – uma noite que nunca mais acaba e uma mulher a lamentar-se porque esta noite não acaba. Na banda, temos mais uma mulher, e isso marca-nos muito, essa questão das três mulheres e dos três homens, porque condiciona tudo. A característica feminina da banda acaba por ser uma mais valia e a voz da Catarina acaba por dominar os temas.

Por David Miguel/UWN, verão de 2007

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Posta-Restante


Posta-Restante - Chuchurumel (Ed. Autor, 2007)

Em finais de Março de 2007 sairá "Posta-Restante", o segundo disco de Chuchurumel. Cada tema (e são treze) será endereçado a alguém, como se de uma carta se tratasse (daí o nome do disco). São cartas musicais dirigidas a pessoas que, ao longo do nosso trabalho, de uma forma ou outra, nos têm marcado: desde informantes anónimos até Giacometti ou Lopes-Graça.

César Prata, 11/02/2007

sexta-feira, 2 de abril de 2010

New Communities for Better Days

New Communities for Better Days (Metrodiscos/Som Livre, 2007)

– O novo álbum dos Hipnótica chama-se “New Communities for Better Days”. Que novas comunidades são essas?

João Branco – Primeiro, este disco é em si uma experiência comunitária que marcou uma inversão no rumo das coisas em termos de criatividade e de sabermos concretizar aquilo que já tínhamos discutido muitas vezes. Segundo, está tudo relacionado com o facto de existir uma série de meios ao teu alcance que podem potenciar e aproximar comunidades artísticas e não só. É bastante centrado na relação entre as pessoas que agora deixou de estar condicionada pelo factor geográfico e pela necessidade de presença física. Não exploramos o lado virtual da coisa e a história da “second life”. Apenas questionamos o que é que a tecnologia nos pode trazer de bom e manifestamos o desejo de começar a usufruir de uma certa bi-direccionalidade que até há pouco tempo não existia com a rádio ou a televisão.

Entrevista de Hugo Amaral / divergencias.com

quinta-feira, 25 de março de 2010

Abril

Abril - Cristina Branco (Universal, 2007)
- Este disco poder-se-ia chamar de outra forma?

O nome era tão óbvio, que se escondeu até ao final da produção. O que me deixava tremendamente preocupada, porque eu escolho sempre os títulos antes de partir para a recolha de temas.

Entrevista de André Gomes/Bodyspace, 10/03/2008

Disco composto por versões de José Afonso

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vinho dos Amantes

Vinho dos Amantes - Janita Salomé (Som Livre, 2007)

- O que é o "Vinho dos Amantes"?

É embaraçosa, essa pergunta... O que é? Foi o que me ocorreu, o que me surgiu. É o resultado de tudo o que fiz até agora. Tudo o que fiz até agora acabou por desembocar no "Vinho dos Amantes", que é um passo diferente naquilo que tenho feito, no que diz respeito à minha linguagem musical e também temática. Antes, dediquei-me muito à música tradicional, estou umbilicalmente ligado à música tradicional e também à poesia arábico-andaluza e aos sons mediterrânicos e a todos uns ambientes muito específicos, muito próprios que são, no fundo, a matriz da música que faço. No entanto, há, também, um lado urbano, marcadamente urbano, que emerge do facto de eu viver na cidade há muitos anos.

- Há uma simbiose entre a música tradicional e a música urbana?

Eu procuro fazê-la. Aliás, o conceito de música popular portuguesa passa, quanto a mim, por aí. Mas, não perdendo o fio ao discurso: "Vinho dos Amantes" é o resultado daquilo que foi a minha existência, da minha vida, porque nada daquilo que eu faço, relacionado com a música e com a minha profissão, está separado daquilo que é a minha existência. A música que eu faço é o resultado dos livros que leio, dos amigos que tenho, das viagens que faço, dos sons que me rodeiam, daquilo que observo, daquilo que me surpreende. E o vinho é algo que está muito presente na nossa cultura, na cultura mediterrânica e na cultura portuguesa. E de que maneira! O vinho é uma bebida mística, mágica, que nos transforma, ora nos bestializa, ora nos inspira, ora nos torna no indivíduo capaz de desafiar o mundo e mais inspirado do universo. E é aliciante falar do vinho, fazer música sobre o vinho, com a poesia e tudo o que li sobre o vinho. As coisas vão-se encadeando. E eu sempre fui um aficionado da prática libatória, com relativamente pouco conhecimento sobre a matéria. Mas este trabalho enriqueceu-me muito, porque me conduziu e me levou a descobrir as belas palavras que existem escritas sobre o vinho, à volta do vinho, de autores dos mais diversos, de grandes autores, passando por Baudelaire, Anacreonte, ou José Jorge Letria, Hélia Correia, Carlos Mota de Oliveira, Camilo Pessanha. Figuram todos neste trabalho. A surpresa, para mim, foi encontrar outros que não musiquei e que, possivelmente, no futuro figurarão também como poetas da minha música. Estou a lembrar-me de Pablo Neruda, que tem um soneto sobre o vinho que é das coisas mais belas que se escreveram sobre esse tema! O vinho tem esta mística, e à volta do vinho muita da nossa existência fervilha e, para o melhor e para o pior, o vinho está presente.

Entrevista de Nuno Gomes dos Santos / Revista Autores (SPA)

A ode ao vinho tem sentido num país vinícola como Portugal, tendo nós o vinho com uma presença tão forte na nossa cultura. Não sou pioneiro, provavelmente outros músicos e outros compositores já o fizeram. Mas de outra maneira, porque as formas podem ser tão variadas como diversa é a poesia e a literatura sobre o vinho.

Entrevista de Marta Neves / Jornal de Notícias, 13/03/2007

Encontrei muita e bela poesia dos mais diversos autores sobre a temática do vinho. Neste trabalho faço um percurso desde os tempos da Antiguidade Clássica até aos tempos actuais, do Anacreonte à Hélia Correia (amiga a quem pedi que escrevesse sobre o vinho), passando pelo Caminho Pessanha e pelo Charles Baudelaire, um mestre na experimentação das mais diversas drogas que fala destas e do vinho com a maior sabedoria que afinal de contas é o mais importante no que diz respeito ao vinho.

- E porquê o título "Vinho dos Amantes"?

O vinho e o amor foram sempre, durante os tempos, relacionados entre si, dizendo Jorge Sousa Braga numa colectânea que publicou na Assírio & Alvim, intitulada "O Vinho e as Rosas", que "vinho" é uma palavra que na sua origem mais remota deriva do sânscrito e quer dizer "amado". Portanto, há uma relação do vinho com o amor, sabendo-se também que mesmo na Antiguidade Clássica, Ovídio já dizia que o vinho predispõe a alma para o amor, isto se não tiver sido bebido em grandes quantidades, claro, porque o vento atiça a chama mas se for muito forte apaga-a!.

Entrevista de João Afonso / Epicur, Agosto-Setembro de 2007

segunda-feira, 15 de março de 2010

Cintura


Cintura - Clã (EMI, 2008)

O facto de terem escolhido o nome Cintura é um convite declarado para as pessoas mexerem essa parte do corpo?

Manuela Azevedo (Risos) Muito sinceramente, a escolha do nome tem a ver com o facto de gostarmos muito da palavra, por si só, de uma forma abstracta. É bonita graficamente e sonoramente também. Depois, pelo facto de a palavra estar ligada a um disco que é muito baseado na secção rítmica e que apela à dança e ao movimento, achámos que era a ideal para dar ao álbum.

O Cintura é muito diferente do antecessor Rosa Carne.

MA Em termos musicais sim, mas em termos líricos não me parece tanto...

É antes uma espécie de continuidade?

MA Completamente. Não só porque o disco continua a ser habitado por mulheres (o que também era uma característica do disco anterior), mas também pelo facto de passarmos pelos mesmos escritores.

Nos vossos discos há sempre um grande investimento na imagem. Desta vez a coisa também não é diferente...

MA Para nós, foi sempre importante investir, não bem na imagem, mas em tudo o que está à volta do nosso trabalho (as capas dos discos, os cartazes dos concertos, a maneira como subimos ao palco, a roupa que vestimos durante o espectáculo). Acho que neste disco conseguimos melhor es resultados até, porque à medida que o tempo foi passando temos conseguido conquistar colaboradores nessa área da imagem.

HG Eu diria que a capa de um disco dá muitos sinais. A ideia é passar algumas coisas que estão lá dentro e outras que não estão e acabas por descobrir na capa.

Entrevista de Edgar Amaral, Mundo Universitário, 8/10/2007

http://www.mundouniversitario.pt/docs/1448/_MU80.pdf

- Por que escolheram "Cintura" para nome do álbum?

MA: Francamente, porque a palavra nos pareceu muito bonita. Nós tínhamos, para este disco, várias hipóteses, o que é uma coisa rara. Esta palavra acabou por se impor sub-repticiamente nas votações que fomos fazendo, muito porque suava bem e porque graficamente era muito bonita. Uma coisa elegante e ao mesmo tempo enigmática, antiga, abstracta. Depois tinha ligações com algumas ideias fortes do disco, com a ideia de viagem de movimento. A cintura é o diâmetro que nos aguenta em pé enquanto nos mexemos, e o jogo de cintura mantém-nos equilibrados nas coisas que a vida nos traz: em todas as partidas e chegadas. Esta dança toda está à volta da cintura.

- O facto de terem apostado num álbum mais pop, mais dançável, está de alguma forma relacionado com o nome?

MA: Sim, essa dimensão mais física, mais sensual, mais dos sentidos é uma dimensão que nós quisemos potenciar em tudo, não só no título do disco, mas também na maneira como fomos trabalhando as fotografias, o grafismo, o guarda-roupa. Tudo aponta para esse aspecto mais festivo de nos sentirmos vivos e do espírito de aventura e de conquista.

Entrevista de ComUM - Jornal dos alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho

quarta-feira, 3 de março de 2010

1970

1970 - J.P. Simões (Norte Sul, 2007)

- Sabe-se que o disco se chama "1970" porque foi o ano em que nasceste e pelo regressar a um certo purismo. Como foi encontrar o futuro nos anos 70?

O passado e o futuro são duas ficções que vivem numa tensão permanente quando se procura determinar o fio que as une. A imaginação, lugar dessa tensão, não tem restrições cronológicas, apenas nos dá pistas vagas sobre o estado dos nossos afectos numa determinada circunstância. O futuro é para onde o teu afecto se dirige.

Entrevista de André Gomes/Bodyspace, 25/01/2007

Já há alguns anos que eu andava à procura de uma casa no som que fosse mais parecida com o que eu gostava e que me permitisse juntar as minhas histórias meio letárgicas, meio amnésicas a um balanço mais vital que sinto mais como o meu pulsar do que a forma portuguesa de fazer canções. Também tem a ver com anos e anos a ouvir Chico Buarque de uma maneira talvez exagerada. Pensei: já que vou fazer um disco sozinho, vou fazer um disco simples, uma coisa que ando há muito tempo para fazer, um luso-samba. Onde está o meu futuro? Em 1970.
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Foi o que me ocorreu. Este disco é uma coisa muito artesanal, sem máquinas, com coros naturalistas como nos anos 70, com construções muito Chico Buarque, Tom Jobim... aquilo foi pensado como qualquer coisa de ficção científica, como se, no ano em que nasci, tivesse a idade que tenho... a imaginar que o nosso desenvolvimento cultural era diferente, que éramos pessoas que absorvíamos e transformávamos... com aqueles dois lados: o que sorve tudo, se mimetiza em tudo e ama as coisas novas quase com desespero, com uma alegria violenta, e o contraponto disso que é manter tradições mortas, direitinhas, como uma espécie de vínculo à terra. Eu tentei depurar esses elementos todos, há uma série de pormenores nos arranjos que particularizam aquilo, que põem uma sombra no morro. Esta foi uma primeira experiência. Eu ainda quero ir para algum lado a partir daqui onde encontrasse a minha toada. Tentar recomeçar a partir do sítio onde, há trinta e tal anos, deixámos as coisas mais ou menos auspiciosas e que, depois, esquecemos um bocado.

Entrevista de João Lisboa / Expresso

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Jardim


Jardim - Tiago Bettencourt e Mantha (Universal, 2007)
«Há uma música que se chama 'O Jardim' que está escondida (...) e que assim fica assinalada no nome do álbum. Antes sequer de chamar a essa música 'O Jardim' começei a reparar que todas as musicas usam várias palavras e varias metáforas relacionadas com a natureza e com os elementos e acho que tem muito a ver chamar "O Jardim"», afirmou Tiago Bettencourt, «E ainda mais porque ao pé do estúdio onde estávamos a gravar em Montreal havia uma escola infantil e em frente à escola infantil havia um muro de madeira pintado por crianças com a representação de um Jardim. (...) Eu fotografei aquilo tudo (...) pedimos autorização á escola e usei isso para fazer todo o booklet do álbum», completou.
Samuel Cruz / IOL , 01/10/2007