
Melro - Janita Salomé (Orfeu, 1980)
- O Janita que me está a falar deste seu último trabalho discográfico não tem nada a ver ou tem ainda alguma coisa a ver com o que fez o "Melro"?
Com o "Melro"? Sempre! Porque cada trabalho é sempre, de alguma forma, consequência do anterior. Como o melro, eu sou um indivíduo circunspecto e atento ao que se passa à minha volta. E preocupado com as coisas do mundo, com a existência da Humanidade e com os caminhos que ela leva. E, particularmente, sensível àquilo que se passa no meu país, onde as pessoas são cada vez mais infelizes e cada vez têm menos motivos para gostar da sua existência e do que as rodeia, porque a vida cada vez é mais difícil, as pessoas cada vez têm mais dificuldades. E é uma injustiça tremenda...
- ... e o que é que isso tem a ver com o melro?
Porque o melro é, precisamente, o pássaro que dá o alerta quando chega o perigo. O disco que teve esse nome sai no princípio dos anos 80, depois do 25 de Abril, mas também depois do 25 de Novembro, e o melro foi a imagem que me surgiu. Porque eu fui caçador e o melro estragava-me as caçadas, porque, onde há um melro, o melro sai e, com um piar característico de pânico, perdizes, lebres, tudo o que há nas imediações foge. O melro dá o sinal de alerta
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