segunda-feira, 15 de março de 2010

Cintura


Cintura - Clã (EMI, 2008)

O facto de terem escolhido o nome Cintura é um convite declarado para as pessoas mexerem essa parte do corpo?

Manuela Azevedo (Risos) Muito sinceramente, a escolha do nome tem a ver com o facto de gostarmos muito da palavra, por si só, de uma forma abstracta. É bonita graficamente e sonoramente também. Depois, pelo facto de a palavra estar ligada a um disco que é muito baseado na secção rítmica e que apela à dança e ao movimento, achámos que era a ideal para dar ao álbum.

O Cintura é muito diferente do antecessor Rosa Carne.

MA Em termos musicais sim, mas em termos líricos não me parece tanto...

É antes uma espécie de continuidade?

MA Completamente. Não só porque o disco continua a ser habitado por mulheres (o que também era uma característica do disco anterior), mas também pelo facto de passarmos pelos mesmos escritores.

Nos vossos discos há sempre um grande investimento na imagem. Desta vez a coisa também não é diferente...

MA Para nós, foi sempre importante investir, não bem na imagem, mas em tudo o que está à volta do nosso trabalho (as capas dos discos, os cartazes dos concertos, a maneira como subimos ao palco, a roupa que vestimos durante o espectáculo). Acho que neste disco conseguimos melhor es resultados até, porque à medida que o tempo foi passando temos conseguido conquistar colaboradores nessa área da imagem.

HG Eu diria que a capa de um disco dá muitos sinais. A ideia é passar algumas coisas que estão lá dentro e outras que não estão e acabas por descobrir na capa.

Entrevista de Edgar Amaral, Mundo Universitário, 8/10/2007

http://www.mundouniversitario.pt/docs/1448/_MU80.pdf

- Por que escolheram "Cintura" para nome do álbum?

MA: Francamente, porque a palavra nos pareceu muito bonita. Nós tínhamos, para este disco, várias hipóteses, o que é uma coisa rara. Esta palavra acabou por se impor sub-repticiamente nas votações que fomos fazendo, muito porque suava bem e porque graficamente era muito bonita. Uma coisa elegante e ao mesmo tempo enigmática, antiga, abstracta. Depois tinha ligações com algumas ideias fortes do disco, com a ideia de viagem de movimento. A cintura é o diâmetro que nos aguenta em pé enquanto nos mexemos, e o jogo de cintura mantém-nos equilibrados nas coisas que a vida nos traz: em todas as partidas e chegadas. Esta dança toda está à volta da cintura.

- O facto de terem apostado num álbum mais pop, mais dançável, está de alguma forma relacionado com o nome?

MA: Sim, essa dimensão mais física, mais sensual, mais dos sentidos é uma dimensão que nós quisemos potenciar em tudo, não só no título do disco, mas também na maneira como fomos trabalhando as fotografias, o grafismo, o guarda-roupa. Tudo aponta para esse aspecto mais festivo de nos sentirmos vivos e do espírito de aventura e de conquista.

Entrevista de ComUM - Jornal dos alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho

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