sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ulisses

Ulisses - Cristina Branco (Universal, 2006)

- Definiu "Ulisses", o seu último registo, como um "disco de viagens, encontros e desencontros". Este disco funciona como o retomar do rumo que desejava?
Nunca fiz um desvio ao curso natural das coisas. Também nunca tracei rotas, é certo! Ulisses é a consequência de tudo o que já cantei, já ouvi, pessoas que conheci, culturas… tudo! Ulisses sou eu e não a Penélope. Sou eu que parto e quero mais. A curiosidade e necessidade de conhecer é fértil e imparável no meu. É tudo assumido.

- Em Ulisses o fado tem menos expressão do que em registos anteriores. Como surgiu a aproximação a outros registos musicais? Considera-se ainda, apesar do conteúdo mais universalista de Ulisses, uma fadista?

A proposta é mesmo a viagem, assim à descarada! Não há fado em Ulisses, no entanto ele está sempre lá. A própria viagem já é fado, saudade. Cheira tudo a mar, a destino. Foi essa a ideia, brincar com a nossa temática trágica e universalizar. Mesmo o tema "Gaivota", aparece enquanto referência ao meu avô, porque me costumava "dizer" esse poema quando eu era pequena.
- Além da universalidade das canções, Ulisses possui uma universalidade de linguagens: português, francês, inglês, espanhol e até o português do Brasil. A juntar a tudo isto, no booklet de Ulisses as letras das canções surgem em português, inglês e francês. A universalização da palavra é uma preocupação sua?

Desde sempre. Não por necessidade pessoal, mas sempre cantei para públicos estrangeiros e estes sempre tiveram a curiosidade de perceber o que vai sendo dito. Parece-me lógico, a partir da compreensão do conteúdo partem para a compreensão do sentido de todo aquele acto cénico, da força da língua portuguesa e do peso que tem na música… e é então que surge o fado. Chamem-lhe o que quiserem.

Entrevista de André Gomes/Body Space, 23/06/2006

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