
Não Sou Daqui - Amélia Muge (2006)
- o título deste novo disco é rico em interpretações. É de alguma forma autobiográfico? Que significado lhe atribui?
Não faço discos autobiográficos. Eu sou uma pessoa muito simples e de gostos iguais a toda a gente. Nada a referenciar. Os discos fazem parte da minha profissão. Logo, tento trabalhar o melhor que sei, partindo de uma ideia e tentando fazer um percurso com ela. No decorrer do trabalho há investigação, há poemas, há canções, há imagens. Tento sempre encontrar títulos aparentemente óbvios, mas que deixam sempre uma ponta do véu levantada para outras interpretações, que foram sendo pensadas, ou encontradas ao longo do percurso. E isto permite outra coisa muito engraçada: há sempre alguém que traz um ponto de vista novo.
Entrevista de André Gomes/Bodyspace, 14/02/2007
– "Não Sou Daqui" é o título do teu disco mais recente. És de onde?
Das horas, dos momentos que vou vivendo, dos lugares, dos meus ideais, dos meus erros, dos livros, discos, espectáculos que me marcaram, dos meus mestres-amigos-família, dos meus desafios, dos meus desgostos, das várias comunidades de esperança que partilho com grupos variados e de variadas maneiras.
– Um caminho para a construção de uma identidade?
Sim. "Não Sou Daqui", na prática, quer dizer que eu não sou de uma coisa enquanto não a viver e, sobretudo, que a identidade, como pertença, também é uma coisa que se vai construindo.
– Então hoje consideras-te uma moçambicana a viver em Portugal, uma portuguesa de alma moçambicana ou nem uma coisa nem outra?
Apetece-me responder que tudo isso ao mesmo tempo, passando por toda uma coisa tão ou mais importante que é considerar-me uma terráquea com alma de extraterrestre. É uma resposta linda. Talvez não seja verdadeira, mas não sei responder de outro modo.
Entrevista de Viriato Teles / SPAutores
- Quando se dá a um álbum um título como Não Sou Daqui, isso autoriza logo uma série de interpretações possíveis: "não sou deste mundo", "não sou de Portugal", "não sou deste tempo", "não sou do lugar onde me querem arrumar"... quis dizer exactamente o quê?
Ao dizer "não sou daqui", estou a dizer outra verdade: estou lá. Em última análise, podemos ir parar a outro grande chavão: a identidade é sempre algo em trânsito. Também se pode ir às questões artísticas e reflectir se, num mercado cultural em nos situamos um pouco à margem, isso significa que não estamos nele. Não só estamos como estamos com um estatuto que varia entre a exclusão e a desigualdade (risos).
Entrevista de João Lisboa / Expresso
- o título deste novo disco é rico em interpretações. É de alguma forma autobiográfico? Que significado lhe atribui?
Não faço discos autobiográficos. Eu sou uma pessoa muito simples e de gostos iguais a toda a gente. Nada a referenciar. Os discos fazem parte da minha profissão. Logo, tento trabalhar o melhor que sei, partindo de uma ideia e tentando fazer um percurso com ela. No decorrer do trabalho há investigação, há poemas, há canções, há imagens. Tento sempre encontrar títulos aparentemente óbvios, mas que deixam sempre uma ponta do véu levantada para outras interpretações, que foram sendo pensadas, ou encontradas ao longo do percurso. E isto permite outra coisa muito engraçada: há sempre alguém que traz um ponto de vista novo.
Entrevista de André Gomes/Bodyspace, 14/02/2007
– "Não Sou Daqui" é o título do teu disco mais recente. És de onde?
Das horas, dos momentos que vou vivendo, dos lugares, dos meus ideais, dos meus erros, dos livros, discos, espectáculos que me marcaram, dos meus mestres-amigos-família, dos meus desafios, dos meus desgostos, das várias comunidades de esperança que partilho com grupos variados e de variadas maneiras.
– Um caminho para a construção de uma identidade?
Sim. "Não Sou Daqui", na prática, quer dizer que eu não sou de uma coisa enquanto não a viver e, sobretudo, que a identidade, como pertença, também é uma coisa que se vai construindo.
– Então hoje consideras-te uma moçambicana a viver em Portugal, uma portuguesa de alma moçambicana ou nem uma coisa nem outra?
Apetece-me responder que tudo isso ao mesmo tempo, passando por toda uma coisa tão ou mais importante que é considerar-me uma terráquea com alma de extraterrestre. É uma resposta linda. Talvez não seja verdadeira, mas não sei responder de outro modo.
Entrevista de Viriato Teles / SPAutores
- Quando se dá a um álbum um título como Não Sou Daqui, isso autoriza logo uma série de interpretações possíveis: "não sou deste mundo", "não sou de Portugal", "não sou deste tempo", "não sou do lugar onde me querem arrumar"... quis dizer exactamente o quê?
Ao dizer "não sou daqui", estou a dizer outra verdade: estou lá. Em última análise, podemos ir parar a outro grande chavão: a identidade é sempre algo em trânsito. Também se pode ir às questões artísticas e reflectir se, num mercado cultural em nos situamos um pouco à margem, isso significa que não estamos nele. Não só estamos como estamos com um estatuto que varia entre a exclusão e a desigualdade (risos).
Entrevista de João Lisboa / Expresso
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