Como Sempre... Como Dantes - Camané (EMI, 2003)- Apesar de este ser oficialmente o álbum ao vivo de Camané, o primeiro disco, "Uma Noite de Fados", de 1995, também foi registado em directo. Esta opção tem a ver com a queixa, frequente entre os fadistas, que diz ser o estúdio um habitat pouco natural para o fado?
No meu primeiro disco houve essa opção de forma muito clara. Neste já não houve tanto essa preocupação. A ideia foi fazer um apanhado daquilo que fiz durante estes anos e mostrar as diferenças de um espectáculo ao vivo em palco e numa casa de fados, ou seja, em ambientes diferentes.
- Serve então como um cartão de visita de uma carreira?
Também, apesar de não ser aquele disco ao vivo gravado numa única sala. Optámos por deixar no disco aquela fúria do público nos espectáculos do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, mas procurámos também a concentração e a vontade de descoberta que se nota num público estrangeiro, como o belga. E fizemos incluir gravações captadas na casa de fados O Embuçado, durante as comemorações do seu 40º aniversário. Resolvemos gravar e, quando fomos ouvir, percebemos que também ali o ambiente era diferente, que o som é muito mais cru.
- O título, "Como Sempre... Como Dantes", tem uma intenção provocatória...
O título, como já vem sendo costume nos meus álbuns, foi retirado de uma letra, de um poema de Júlio de Sousa. Como este disco define aquilo que tenho feito, acho que é bem achado. "Como Dantes" é "O Embuçado", uma casa de fados. "Como Sempre" é o que é.
- Portanto, não se refere ao fado como algo imutável.
Não, refere-se a mim. Tem a ver comigo e com a minha forma de estar no fado. Não representa o fado. É o meu fado
Entrevista de Miguel Francisco Cadete/Público, 28/11/2003
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