Momentos - Dulce Ponte (Farol, 2009)Este ano, Dulce Pontes soprou 40 velas (nasceu a 8 de Abril de 1969 no Montijo) e comemora, nesta altura, 20 anos de carreira com a edição de Momentos, um disco duplo "que não é uma compilação", alerta. "É um álbum que serve para partilhar com o público aquilo que eu tenho feito nos últimos anos", começa por explicar. "A minha biografia está gravada, mas tenho vindo a registar todos os concertos desde há alguns anos para cá"..
Contudo, Dulce Pontes continua a ver-se como "uma artista completamente marginal" que não depende "da imprensa nem de campanhas de marketing". Sente-se triste com a comunicação social que "recebe a informação mas não a publica". Acto contínuo, "o público que não tem acesso à Internet não sabe o que ando a fazer e pensa que eu me afastei".
Certo é que tal como em outros momentos da sua carreira, a grande fatia dos concertos tem-se realizado "no estrangeiro" porque "em Portugal estamos duas semanas à espera de confirmar uma data". Mas, diz Dulce Pontes: "Não posso ficar no congelador à espera porque tenho contas para pagar, filhos..."
Hoje, como sempre, o seu caminho "é o da música portuguesa". Fala-se de um país "pequeno geograficamente, mas muito rico" em que cabem "o fado, a música medieval e o folclore". Dessa palete de sons "pesquisada por um senhor italiano (Michel Giacometti), nasce uma musicalidade "que continua a ser muito portuguesa". Uma lusitana paixão que é "muito maior que Lisboa".
Um ciclo que se fecha e outro que se inicia. Dulce Pontes considera que ainda lhe falta fazer "tudo" e não quer deixar que voz "lhe doa". Quer produzir outros artistas e compor, como já fez com Katia Guerreiro. Prometido está um segundo capítulo do mui reconhecido Primeiro Canto.
Artigo e entrevista de Davide Pinheiro, Diário de Notícias
Contudo, Dulce Pontes continua a ver-se como "uma artista completamente marginal" que não depende "da imprensa nem de campanhas de marketing". Sente-se triste com a comunicação social que "recebe a informação mas não a publica". Acto contínuo, "o público que não tem acesso à Internet não sabe o que ando a fazer e pensa que eu me afastei".
Certo é que tal como em outros momentos da sua carreira, a grande fatia dos concertos tem-se realizado "no estrangeiro" porque "em Portugal estamos duas semanas à espera de confirmar uma data". Mas, diz Dulce Pontes: "Não posso ficar no congelador à espera porque tenho contas para pagar, filhos..."
Hoje, como sempre, o seu caminho "é o da música portuguesa". Fala-se de um país "pequeno geograficamente, mas muito rico" em que cabem "o fado, a música medieval e o folclore". Dessa palete de sons "pesquisada por um senhor italiano (Michel Giacometti), nasce uma musicalidade "que continua a ser muito portuguesa". Uma lusitana paixão que é "muito maior que Lisboa".
Um ciclo que se fecha e outro que se inicia. Dulce Pontes considera que ainda lhe falta fazer "tudo" e não quer deixar que voz "lhe doa". Quer produzir outros artistas e compor, como já fez com Katia Guerreiro. Prometido está um segundo capítulo do mui reconhecido Primeiro Canto.
Artigo e entrevista de Davide Pinheiro, Diário de Notícias
Momentos é o álbum de carreira daquela a que podemos, sem qualquer risco, afirmar ser uma das divas nacionais. Uma voz arrepiante, que consegue exaltar os sentimentos mais profundos com o simples soltar de uma nota vibrante, alia-se a um percurso notável, avalizado por colaborações e troca de experiências com alguns dos maiores músicos e compositores do planeta e reconhecido pelo público de todo o mundo. Um percurso materializado em 17 canções. 17 momen-tos que se querem representativos de 20 anos de carreira. É caso para se dizer: silêncio que vai cantar a Dulce.
- Porquê a escolha destas 17 canções para representar os 20 anos de carreira? Que critério é que se segue para se conseguir esta selecção?
Pensa-se tanto num critério que depois acaba por se perder, até que se encontra de uma forma muito simples, que é: onde é que estão os momentos especiais? Que momentos é que, realmente, foram especiais, que te tocaram? Quais foram as pessoas importantes?
- E há alguma mais marcante?
Esse tipo de pergunta é a mesma coisa que eu ter 4 anos e estar numa loja só com caramelos e bolos de nata (risos)… Qual é que escolho? É difícil a resposta! Gosto da "Canção de Embalar" – gosto muito da "Canção de Embalar". É uma das canções mais emblemáticas do Zeca (Afonso) e acho que está bem conseguido o arranjo e o resultado final é interessante. É ligeiramente diferente do que fazemos ao vivo. Isto está sempre em transformação.
- E porquê este registo ao vivo?
Porque não há tempo para ir para estúdio… por acaso, há coisas gravadas em estúdio também, mas há muito tempo que eu não ia para estúdio. Uma das coisas que me aconteceu logo a seguir ao nascimento da minha filha, e ao longo destes anos todos, é que tenho coleccionado concertos, não só em áudio mas em vídeo também. E essa é a minha biografia viva e é alguma coisa que fica – pelo menos, para os meus filhos ouvirem, se lhes apetecer. E porquê ao vivo? Porque é isso que eu faço. Agora posso ter o tempo organizado de uma forma diferente – a pouco e pouco ter mais tempo para o lado familiar, dosear as coisas, não estar tanto tempo fora de casa. Já cansa!
Artigo completo na Arte Sonora nº 11 (Julho/Agosto 2009)
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