
Fados de Amor e Pecado - Ana Sofia Varela (iPlay, 2009)
"Fados de Amor e Pecado" é um projecto com um percurso bem longo, que começou ainda nos anos 90. Sem saber, estiveste na sua origem.
Tudo começou durante a Expo'98, com o espectáculo "De Sol a Lua - Flamenco e Fado", para o qual o João Gil e o João Monge tinham sido convidados. Estando já inserida nesse tal espectáculo de fado e flamenco, cantei dois dos temas que estão presentes neste disco, o "Fado de Amor e Pecado", que dá nome ao álbum, e "Estranha Vontade". Também participou nesse espectáculo o Camané, que cantava o "Lua de Todos", outro dos temas que estão no álbum. E tudo começa aí, a vontade de um dia fazer um álbum de fado, a aproximação ao universo do fado, a convivência com os fadistas... Inclusivamente o Monge chegou a escrever um álbum para a Aldina Duarte, e escreveu para outros fadistas, entre eles a Mísia. Esta dupla passou, cada vez mais, a beber de todo este mundo.
Talvez seja um pouco forte a palavra, mas este álbum parecia estar--te "predestinado"...
Sim, um pouco. Em 2007, eles falaram-me na questão de ser eu a cantar mas eu na altura não estava preparada porque tinha saído o disco do projecto "Sal", com o José Peixoto, o Fernando Júdice e o Viki. E eu, embora adorasse a ideia, tive que recusar. Depois o processo atrasou-se e acabei por seu eu, afinal, a cantar estes temas. Portanto, o destino tem muito que se lhe diga. Estava predestinada para este álbum - é isso mesmo.
Neste álbum, João Monge assume um ponto de vista feminino para contar as histórias que se materializam em cada fado. Nesse sentido, além de cantora, há aqui também um trabalho de actriz?
Foi um método de trabalho muito interessante, novo para mim. Isto porque, na sua globalidade, este álbum tem temas com os quais eu não me identifico. Há, por exemplo, um tema que fala de uma viúva e o "Fado de Amor e Pecado", um tema fortíssimo que é sobre uma mulher que mata o marido. Ou seja, no álbum, todo ele, que conta histórias de várias mulheres, eu tive que encarnar alguns personagens e, sim, tive que fazer um pouco trabalho de actriz, indo ao encontro do que o Monge pretendia. Ele disse-me: "Sim, é mesmo isso, é mesmo por aí que tens que ir, estás a interpretar a coisa como deve de ser". Isso não aconteceu tanto no outro disco que eu fiz, porque aí foi uma escolha mais minha, com temas com os quais me identificava muito mais. É um pouco essa a diferença.
Isso faz com que o sintas menos teu?
Não. Eu sinto este trabalho como meu. É um trabalho a três, é assim que eu o assumo - meu e dos "joões" - mas também o considero como o meu CD. São ambas as coisas. Porque o vivi intensamente e entreguei-me como se fosse meu. Portanto, é o meu disco, o meu segundo disco de fado, até porque estive no início de tudo.
Quem são estas mulheres que protagonizam estas 12 histórias?
São várias tipos de mulheres, todo o tipo de mulher e todo o tipo de amor. São histórias autónomas mas todas elas à volta do amor e do pecado, da traição, do ciúme, da saudade... Há a mulher que mata o marido, em "Fado de amor e pecado"; há a viúva, que sente o marido sempre presente, embora ele tenha já partido, tal era o amor que sentia. São histórias atravessadas por sentimentos muito fortes: ciúme, amor, ódio, raiva, desprezo... E eu, assim que vi os temas, senti que ia adorar fazer este disco, não só por ser algo de novo para mim, mas também por serem melodias e palavras fantásticas para se cantar. Fiquei muito feliz com o que me foi dado para poder dar voz, interpretação, a minha criatividade e a minha visão.
Entrevista de Carla Ferreira / Diário do Alentejo, 27/11/2009
Tudo começou durante a Expo'98, com o espectáculo "De Sol a Lua - Flamenco e Fado", para o qual o João Gil e o João Monge tinham sido convidados. Estando já inserida nesse tal espectáculo de fado e flamenco, cantei dois dos temas que estão presentes neste disco, o "Fado de Amor e Pecado", que dá nome ao álbum, e "Estranha Vontade". Também participou nesse espectáculo o Camané, que cantava o "Lua de Todos", outro dos temas que estão no álbum. E tudo começa aí, a vontade de um dia fazer um álbum de fado, a aproximação ao universo do fado, a convivência com os fadistas... Inclusivamente o Monge chegou a escrever um álbum para a Aldina Duarte, e escreveu para outros fadistas, entre eles a Mísia. Esta dupla passou, cada vez mais, a beber de todo este mundo.
Talvez seja um pouco forte a palavra, mas este álbum parecia estar--te "predestinado"...
Sim, um pouco. Em 2007, eles falaram-me na questão de ser eu a cantar mas eu na altura não estava preparada porque tinha saído o disco do projecto "Sal", com o José Peixoto, o Fernando Júdice e o Viki. E eu, embora adorasse a ideia, tive que recusar. Depois o processo atrasou-se e acabei por seu eu, afinal, a cantar estes temas. Portanto, o destino tem muito que se lhe diga. Estava predestinada para este álbum - é isso mesmo.
Neste álbum, João Monge assume um ponto de vista feminino para contar as histórias que se materializam em cada fado. Nesse sentido, além de cantora, há aqui também um trabalho de actriz?
Foi um método de trabalho muito interessante, novo para mim. Isto porque, na sua globalidade, este álbum tem temas com os quais eu não me identifico. Há, por exemplo, um tema que fala de uma viúva e o "Fado de Amor e Pecado", um tema fortíssimo que é sobre uma mulher que mata o marido. Ou seja, no álbum, todo ele, que conta histórias de várias mulheres, eu tive que encarnar alguns personagens e, sim, tive que fazer um pouco trabalho de actriz, indo ao encontro do que o Monge pretendia. Ele disse-me: "Sim, é mesmo isso, é mesmo por aí que tens que ir, estás a interpretar a coisa como deve de ser". Isso não aconteceu tanto no outro disco que eu fiz, porque aí foi uma escolha mais minha, com temas com os quais me identificava muito mais. É um pouco essa a diferença.
Isso faz com que o sintas menos teu?
Não. Eu sinto este trabalho como meu. É um trabalho a três, é assim que eu o assumo - meu e dos "joões" - mas também o considero como o meu CD. São ambas as coisas. Porque o vivi intensamente e entreguei-me como se fosse meu. Portanto, é o meu disco, o meu segundo disco de fado, até porque estive no início de tudo.
Quem são estas mulheres que protagonizam estas 12 histórias?
São várias tipos de mulheres, todo o tipo de mulher e todo o tipo de amor. São histórias autónomas mas todas elas à volta do amor e do pecado, da traição, do ciúme, da saudade... Há a mulher que mata o marido, em "Fado de amor e pecado"; há a viúva, que sente o marido sempre presente, embora ele tenha já partido, tal era o amor que sentia. São histórias atravessadas por sentimentos muito fortes: ciúme, amor, ódio, raiva, desprezo... E eu, assim que vi os temas, senti que ia adorar fazer este disco, não só por ser algo de novo para mim, mas também por serem melodias e palavras fantásticas para se cantar. Fiquei muito feliz com o que me foi dado para poder dar voz, interpretação, a minha criatividade e a minha visão.
Entrevista de Carla Ferreira / Diário do Alentejo, 27/11/2009

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