quarta-feira, 14 de abril de 2010

Paz

Paz - Eugénia MC (Som Livre, 2002)

«Paz» não tem nada a ver com um sentimento oposto à guerra. «Também não tem a ver com paz de espírito ou maturidade. Tem a ver com emoções, um estado superior de existência. Energia, conhecimento e vida. Uma vida acima dos valores materiais. Tem a ver com o que está ainda por vir. Algo posterior, estimulante e sobrevivente aos pequenos apocalipses que vão acontecendo na actualidade e que têm aumentado de forma gradual nos últimos anos», refere Eugénia.

entrevista de Filipe Rodrigues da Silva / Diário Digital


- Porque é que chamou «Paz» a este disco?

Para onde caminha a humanidade? Isto é o caos total. Nós vivemos mini-apocalipses. Essa história do ano 2000, do apocalipse... Qual apocalipse? O século XX foi o século dos mini-apocalipses constantes, permanentes. A cada segundo morrem crianças com fome, gente morre em guerras, acidentes naturais... estamos a matar o planeta. Isto não é um apocalipse? Esta paz de que falo é uma paz de esperança num futuro longínquo, porque acredito que a humanidade cresça na inteligência. Aquele desenho da Fernanda Fragateiro na capa do disco, com aquele bonequinho triste, e depois a minha fotografia já a olhar para cima representam o real e o irreal, a tristeza e a alegria, os dois pólos que, na minha opinião, deveriam ser os motores da vida. A tristeza e a alegria, e não a fome e o excesso, por exemplo. Porque há uma tristeza criativa, quando se trata de uma dor interna de questionamento e não de uma dor que venha de flagelos sociais.

Entrevista de Jorge Lima Alves / Expresso, 2003

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