Mátria - Paulo de Carvalho (Universal, 1999)«É sempre arriscado fazer um espectáculo com canções que as pessoas não conhecem.» Mas, na realidade, «Mátria» é uma aventura que já tem quatro anos. Em 1997, com outro título, esteve prestes a ser publicado por uma pequena editora independente. A ideia era a mesma, eram as mesmas canções com as mesmas letras que requereu a diversas mulheres do nosso meio - Maria Barroso, Né Ladeiras, Simone de Oliveira, Dulce Pontes, Mafalda Veiga, Isabel Ruth, que ele «nem conhecia», Maria Rosa Colaço, «com a qual andava à espera de trabalhar há 30 anos».
Falou com elas, convenceu-as, em certos casos insistiu face à demora. Algumas enviaram-lhe poemas, uma ou outra remeteram textos, «por vezes com três ou quatro páginas»; em quase todos os casos passou depois tempo a retalhar e recombinar as palavras, sumariou as ideias, elaborou manobras que todas as autoras acabaram por aprovar. Começou a compor com a ajuda da guitarra, que toca mal, e com a voz, que é o seu instrumento, antes de haver uma banda.
A intenção era que tudo resultasse, como agora, num amplo fresco da sentimentalidade lusófona, descrita no feminino e interpretada no masculino, de acordo com uma linha que ele incansavelmente define como «etno-urbana», uma estilização meio rural, meio cosmopolita.
Porém, nessa primeira fase acabou por descobrir que o projecto não tinha o som que queria. «O que eu queria, já na altura, era poder trabalhar sobre uma base de rítmica electrónica e depois acrescentar-lhe outros instrumentos», mas os resultados que então conseguiu ficaram muito aquém das expectativas que criara. Por isso, hoje em dia não consegue disfarçar que se sente «muito orgulhoso por ter resolvido deitar o álbum todo para o caixote do lixo» e recomeçá-lo depois a partir do zero, desta vez na companhia do engenheiro Fernando Abrantes e com a ajuda de Ivan Lins, o amigo brasileiro surge creditado como produtor, mas que também interpretou em dueto com Paulo as duas versões alternativas de «Mulher É Vida» e «O Fado» publicadas no final do disco.
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Falou com elas, convenceu-as, em certos casos insistiu face à demora. Algumas enviaram-lhe poemas, uma ou outra remeteram textos, «por vezes com três ou quatro páginas»; em quase todos os casos passou depois tempo a retalhar e recombinar as palavras, sumariou as ideias, elaborou manobras que todas as autoras acabaram por aprovar. Começou a compor com a ajuda da guitarra, que toca mal, e com a voz, que é o seu instrumento, antes de haver uma banda.
A intenção era que tudo resultasse, como agora, num amplo fresco da sentimentalidade lusófona, descrita no feminino e interpretada no masculino, de acordo com uma linha que ele incansavelmente define como «etno-urbana», uma estilização meio rural, meio cosmopolita.
Porém, nessa primeira fase acabou por descobrir que o projecto não tinha o som que queria. «O que eu queria, já na altura, era poder trabalhar sobre uma base de rítmica electrónica e depois acrescentar-lhe outros instrumentos», mas os resultados que então conseguiu ficaram muito aquém das expectativas que criara. Por isso, hoje em dia não consegue disfarçar que se sente «muito orgulhoso por ter resolvido deitar o álbum todo para o caixote do lixo» e recomeçá-lo depois a partir do zero, desta vez na companhia do engenheiro Fernando Abrantes e com a ajuda de Ivan Lins, o amigo brasileiro surge creditado como produtor, mas que também interpretou em dueto com Paulo as duas versões alternativas de «Mulher É Vida» e «O Fado» publicadas no final do disco.
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Surpreende o público quando interrompe a função para apresentar a equipa técnica e a jovem Susana Lemos, a artista plástica que ilustrou o disco - há serigrafias em exposição no átrio do casino e hão-de acompanhar quase sempre o espectáculo, quando ele avançar decididamente para a estrada no próximo ano.
Texto de Jorge P. Pires / Expresso, 25/09/1999
Texto de Jorge P. Pires / Expresso, 25/09/1999
Mais tarde, também em 99, e por um acaso feliz, [Susana Lemos] fez a capa do CD "Mátria", de Paulo de Carvalho. "A concepção gráfica e plástica foi toda minha e deixou-me feliz". O tal acaso feliz que a ligou a Paulo de Carvalho conta-se em duas palavras: o Paulo tinha um contrato com o Casino Estoril; a Susana tinha trabalhos seus no Salão Primavera daquele Casino, integrados numa exposição colectiva dos finalistas das Belas Artes de Lisboa e Porto; o Paulo viu a exposição, gostou dos seus trabalhos, pediu o seu contacto e depois de conversarem convidou-a para fazer o capa do disco que tinha em preparação. Tão simples como isso...
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