quinta-feira, 29 de abril de 2010

Feeding The Machine


Feeding The Machine - X-Wife (Norte Sul, 2004)
- Como é que surgiu o título do álbum? Acham que representa, de alguma forma, a sensação dominante do álbum?

O título do álbum surgiu em conversa com uma amiga minha (Vicky) que acabaria por fazer o nosso vídeo "Rockin" Rio". Foi em Londres, num coffee shop. Estávamos a ter uma conversa sobre a necessidade de se fazer coisas e criar coisas e fugir um bocado ao emprego das nove às cinco. Em conversa, ela disse que "you"ve got to feed the machine", e aquilo soou-me bem. Basicamente quer dizer que tens que fazer coisas que te satisfaçam pessoalmente e te dêem gozo. Não podes passar toda a vida a fazer algo que achas uma perda de tempo. É preciso alimentar a máquina para ela continuar a funcionar. A máquina é o cérebro. Tens que o manter activo.

Entrevista de André Gomes/Bodyspace, 29/04/2004

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dados Viciados


Dados Viciados (EMI, 1997)

ZP - Teve um tema de redação sugerido pelo Tim logo no início.

Entrevista de Eurico Nobre / Diário de Notícias, 02/06/2001

"Dados Viciados" é o retomar, parcial, de um tema antigo do grupo. Serviu de esboço à temática do disco. A apresentação do álbum foi no Casino da Figueira.

"Dados Viciados" foi uma das músicas apresentadas no primeiro espectáculo do grupo em 13/01/1979.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Desalinhados

Desalinhados - Delfins (BMG, 1990)

Miguel Angelo - É uma atitude que vai contra as pessoas que só se movem por grandes causas, grandes modas, grandes equipas de futebol. "Desalinhados" é nesse sentido o conceito oposto a tudo isso. Porque não querem estar parados nem ficar velhos, os Delfins propõem-se marchar até ao fim. Isolados, como rezam os primeiros versos da Marcha dos Desalinhados que abre o disco.

Entrevista de Maria João Lourenço / TV Guia - 1990

"A Marcha dos Desalinhados" é a primeira faixa do disco. O grupo também era conotado com sendo da Linha de Cascais.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Do Lado dos Cisnes


Do Lado dos Cisnes - GNR (EMI, 2002)

"Do Lado dos Cisnes" é, segundo o grupo, um lado que os GNR ainda não mostraram ao público. Rui Reininho explicou que é «um outro lado, uma outra faceta da banda, é um pouco o acumular de outras facetas e mais uma, esta!»

«Isto é matemática, é um bocado como a teoria dos conjuntos, reflecte as outras fases anteriores e esperamos que esta seja original», afirmou Rui Reininho.

Entrevista de Ana de Oliveira Suspiro/Disco Digital, 11/11/2002

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Nothing’s Ever Good Enough


Nothing’s Ever Good Enough - Electric Wiilow (Honeysound, 2008)



- Qual é a história de Nothing’s Ever Good Enough?

Se olharmos para a parte estética da capa acho que se consegue captar uma vibração positiva. Embora o título possa parecer paradoxal em relação à capa, acaba por ter o efeito que pretendíamos. Por um lado, podemos ver que nada é suficiente pelo lado negativo ou, por outro lado, ainda bem que nada é suficiente. Por isso é que andamos por aqui…

- O título do álbum, Nothing’s Ever Good Enough, remete-nos para alguma tristeza e desilusão. Mas nas duas canções em que aparece tem um efeito contrário. O que pretendem transmitir?

Este efeito foi propositado e conseguido. Não queríamos dar uma mensagem singular. Mas não quero revelar mais nada… É um puzzle que cada um deve construir à sua maneira. Muitas vezes nem eu sei porque é que escrevi aquilo em determinada canção.

- Há uma qualquer insatisfação e melancolia que percorre o disco. Nothing’s Ever Good Enough é um álbum optimista ou pessimista?

Mais uma vez não vou dizer o que é para mim. Não quero roubar o espaço de manobra aos ouvintes. Deixo o convite às pessoas para descobrirem.

Entrevista de Eduarda Sousa, 23/04/2008

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mulheres Ao Espelho


Mulheres Ao Espelho - Aldina Duarte (Roda-Lá Music, 2008)

– "Mulheres ao Espelho" é um disco de homenagem ao universo feminino, já o disse, agora falta dizer se existe um fado feminino...

A originalidade é o que torna único cada artista, não é o seu sexo, mas a essência da sua criação artística. Quanto a "Mulheres ao Espelho", é um disco onde me inspiro no universo feminino que me rodeou e rodeia, que formou a minha identidade, que conta histórias de mulheres sem voz, mas também das que decidem ter a coragem de amar em circunstâncias difíceis. Falo da alegria nas pequenas coisas que me encanta em certas mulheres, na maternidade... Acho que é um disco para as mulheres e os homens que gostam das mulheres.

Entrevista de M. Vinhas/Revista SPAutores

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fossanova


Fossanova - Belle Chase Hotel (Norte Sul, 1998)

Quando o 'Fossanova' saiu, senti que tudo aquilo era um conjunto muito imperfeito, mas sem menosprezar a ideia de que havia uma certa honestidade e uma vontade de furar com a monotonia da chamada criatividade. A única ligação que posso fazer com o sacudir de música portuguesa antes feita por grupos como os Mler If Dada ou os Pop Dell' Arte não tem a ver com filiações estéticas, mas acima de tudo com uma atitude de libertinagem positiva. A modernidade das ofertas culturais no nosso país sofre sempre do mesmo problema: é demasiadamente moderna. E, como dizia a Coco Chanel, quem está na moda é quem está um bocadinho fora de moda. Não é por pudor à popularidade. É mais porque quem quer estrear uma coisa sente sempre pudor às fórmulas feitas. E isso dá algum leite-creme à eventual atitude artística."

Encontrei depois uma coisa muito boa no 'Fossa Nova': nunca senti a chamada vertigem do segundo álbum. O álbum abria caminhos para tudo, mas mesmo para tudo. Se a seguir aparecêssemos com um álbum intitulado "A Revolta das Máquinas", todo ele baseado na história de um homem que se apaixona por uma torradeira deprimida e tenta mostrar-lhe que não, que ela vale muito, ao ponto de a torradeira finalmente sentir que vive num mundo de torradeiras e de sistemas, cheia de amigos que vão lá a casa tomar um copo de óleo à noite, mesmo isso podíamos ter feito. Na verdade, todo o 'Fossa Nova' foi para mim um manifesto de irresolução."

"Foi esta a minha experiência social com o 'Fossa Nova', o que por um lado só veio provar que o nome do álbum, pessoal e colectivamente, foi uma coisa mesmo nostradâmica. Caramba, uma 'Fossa Nova' sempre renovada, num novo concerto ou num novo artigo de jornal. Se tivéssemos mais estofo para levar tudo na brincadeira talvez nos saíssemos melhor. Mas o faduncho prevaleceu e acabámos por chegar ao fim com um certo cansaço, fartos de nos aturar uns aos outros, fartos de quartos de hotel e de equívocos, equívocos e mais equívocos. Talvez daqui a um ano seja mais fácil, quando virmos as coisas com a distância de uma recordação e de grande aventura."

terça-feira, 20 de abril de 2010

Hotel Ámen

Depois de Alhur eu e o MEC iniciámos outra aventura.Naqueles dias o estado de alvoroço era permanente e o mundo acabava dali a ½ segundo... tanta coisa para viver, tudo para sentir.
***
Abrir parêntesis:

Encontrei-me, pela 1ª vez, com o MEC no dia 16 de Janeiro de 1982 . Estava a viver em Carcavelos acabada de chegar da Suécia. A ideia de Alhur pairava no ar, um pouco indefinida, mas ía dirigindo a minha necessidade de compor, que era intensa. Nesse dia falámos sobre a vontade recíproca de trabalharmos juntos e entreguei-lhe uma cassete para ele “letrar”.

O 2º encontro foi exactamente 1 mês depois. 16 de Fevereiro, a meio da tarde, nas escadas da Valentim de Carvalho, na Rua Nova do Almada. Tenho-o mais presente pela situação em si. Eu a descer as escadas com um macacão azul forte (último grito vindo da Suécia), ele a subi-las com o seu laço imprescindível e pasta de couro na mão (imagem de marca). Parámos, demos uma forte gargalhada e encetámos caminho para uma das salas da editora, onde estivemos a escutar as músicas e a ler a letras. Combinámos um almoço para o dia seguinte, na Mercearia, com a promessa de eu levar os temas gravados, sem os lá-lá-lás.

E assim foi. Cheguei um pouco atrasada, mas com uma nova cassete trabalhada na noite anterior. Recordo a sensação de alvoroço de quem inicia o primeiro voo. Uma mistura de apreensão e júbilo, um estado contagiante e até infantil. Sabia que a minha vida, depois disto, não ía voltar a ser a mesma. O Miguel propôs que a produção ficasse a cargo de Ricardo Camacho (que havia musicado a letra de Foram Cardos foram Prosas em 1981) e eu propus que se chamassem uns músicos novos que tinha estado a escutar. Tinha comprado o LP quando voltei para Portugal e achava-os diferentes de tudo o que por cá existia. Eram os Heróis do Mar.

Tremendamente confiantes levámos estas ideias para a editora, embora com algumas resistências pelo meio, porque os Heróis do Mar (no conceito deles) eram músicos de plástico... lololol

O resto já se sabe. As sessões de estúdio foram pura descoberta, experimentalismo, com laivos de magia à mistura e eu pensei que, a solo, ia ser feliz para sempre!
Parêntesis fechado.

***

Não parava de compor e o Miguel de escrever. Assim surge Hotel Ámen, que de um lado era carne e do outro espírito. Grandes planos! A editora, a meu pedido, concordou que fosse gravado no Mosteiro dos Jerónimos e, para isso, fez deslocar o seu estúdio móvel até Belém. A produção, desta vez, ficava a cargo de Carlos Maria Trindade. Não me lembro quantos dias se passaram. Sei que tudo acabou abruptamente. Ou porque achavam que não ia ser comercial, ou porque não se chegava a acordo sobre algumas situações, Hotel Ámen faliu.

E uma dessas situações estava relacionada com a minha participação na peça Em Carne Cor de Rosa Encarnada da autoria do MEC. A minha personagem, que cantava juntamente com o Luís Madureira, acabou por ser “dispensada” pela actriz Graça Lobo, uns dias antes da estreia...

Nestas coisas não há só um culpado, eu assumo que a pressão deu cabo de mim. Fiquei cansada e deprimida. Abandonei o "palco" onde se desenrolava a tragédia e afastei-me. Fiquei magoada com todos, incluindo o MEC. Saí de Lisboa, recolhi-me em Alhur. Decidi dedicar-me a plantar ervas de cheiro e toda a espécie de chás curativos.

http://neladeiras.blogspot.com/2009/06/estoria-do-hotel-amen.html

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Boato


Boato - J.P. Simões (Cantigas da Rua, 2009)

- Porque escolheu "Boato"?

É difícil dar uma notícia precisa sobre o que me define claramente como músico, no meio destas músicas todas. No fundo, a sensação que me dá é que não há nada assim muito claro naquelas canções todas, que falam de muitas outras pessoas. Não é muito claro o meu papel. Mas os temas podem servir para começar o boato de quem é aquele tipo por detrás daquele conjunto de canções. Acho que tudo o que se diz e o que se faz, na verdade são boatos. A segurança que temos naquilo que lemos nos jornais, que conhecemos e ouvimos falar, para mim é claramente cada vez mais um mundo de boatos. Também é uma proposta de piscar de olho à teoria do conhecimento.

Entrevista de Filipa Estrela/Destak, 20/04/2009

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mátria

Mátria - Paulo de Carvalho (Universal, 1999)

«É sempre arriscado fazer um espectáculo com canções que as pessoas não conhecem.» Mas, na realidade, «Mátria» é uma aventura que já tem quatro anos. Em 1997, com outro título, esteve prestes a ser publicado por uma pequena editora independente. A ideia era a mesma, eram as mesmas canções com as mesmas letras que requereu a diversas mulheres do nosso meio - Maria Barroso, Né Ladeiras, Simone de Oliveira, Dulce Pontes, Mafalda Veiga, Isabel Ruth, que ele «nem conhecia», Maria Rosa Colaço, «com a qual andava à espera de trabalhar há 30 anos».

Falou com elas, convenceu-as, em certos casos insistiu face à demora. Algumas enviaram-lhe poemas, uma ou outra remeteram textos, «por vezes com três ou quatro páginas»; em quase todos os casos passou depois tempo a retalhar e recombinar as palavras, sumariou as ideias, elaborou manobras que todas as autoras acabaram por aprovar. Começou a compor com a ajuda da guitarra, que toca mal, e com a voz, que é o seu instrumento, antes de haver uma banda.

A intenção era que tudo resultasse, como agora, num amplo fresco da sentimentalidade lusófona, descrita no feminino e interpretada no masculino, de acordo com uma linha que ele incansavelmente define como «etno-urbana», uma estilização meio rural, meio cosmopolita.

Porém, nessa primeira fase acabou por descobrir que o projecto não tinha o som que queria. «O que eu queria, já na altura, era poder trabalhar sobre uma base de rítmica electrónica e depois acrescentar-lhe outros instrumentos», mas os resultados que então conseguiu ficaram muito aquém das expectativas que criara. Por isso, hoje em dia não consegue disfarçar que se sente «muito orgulhoso por ter resolvido deitar o álbum todo para o caixote do lixo» e recomeçá-lo depois a partir do zero, desta vez na companhia do engenheiro Fernando Abrantes e com a ajuda de Ivan Lins, o amigo brasileiro surge creditado como produtor, mas que também interpretou em dueto com Paulo as duas versões alternativas de «Mulher É Vida» e «O Fado» publicadas no final do disco.

(...)

Surpreende o público quando interrompe a função para apresentar a equipa técnica e a jovem Susana Lemos, a artista plástica que ilustrou o disco - há serigrafias em exposição no átrio do casino e hão-de acompanhar quase sempre o espectáculo, quando ele avançar decididamente para a estrada no próximo ano.

Texto de Jorge P. Pires / Expresso, 25/09/1999

Mais tarde, também em 99, e por um acaso feliz, [Susana Lemos] fez a capa do CD "Mátria", de Paulo de Carvalho. "A concepção gráfica e plástica foi toda minha e deixou-me feliz". O tal acaso feliz que a ligou a Paulo de Carvalho conta-se em duas palavras: o Paulo tinha um contrato com o Casino Estoril; a Susana tinha trabalhos seus no Salão Primavera daquele Casino, integrados numa exposição colectiva dos finalistas das Belas Artes de Lisboa e Porto; o Paulo viu a exposição, gostou dos seus trabalhos, pediu o seu contacto e depois de conversarem convidou-a para fazer o capa do disco que tinha em preparação. Tão simples como isso...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Triunfo dos Electrodomésticos

Triunfo dos Electrodomésticos (BMG, 1995)

João Aguardela - O nome deste disco dá pano para mangas. A explicação oficial é esta: cientificamente, o triunfo dos electrodomésticos é um período da vida das pessoas em que elas deixam de acreditar em valores mais ideais para começar a acreditar em valores mais materiais. E tem a ver com a relação das pessoas com as próprias máquinas. Desde os que acreditam que os electrodomésticos são os nossos melhores amigos, até aos que acreditam que são os nossos piores inimigos.
João Marques - E tem a ver com o que se vive agora, em que as máquinas parecem estar no centro de tudo. A televisão, o vídeo, os jogos de computador... Aquela cena de as pessoas chegarem a casa e meterem tudo no microondas.
João Aguardela - Este disco também fala sobre o que as pessoas fazem para conseguir ter electrodomésticos. Todas as loucuras que fazem para ter isto ou aquilo, esquecendo-se do principal. Os electrodomésticos não são assim tão bons.
Entrevista de Marta Duarte / Público, 11/04/1995
Os Sitiados já tinham gravado a "Marcha dos electrodomésticos" no álbum do "Johnny Guitar" de 1993.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Paz

Paz - Eugénia MC (Som Livre, 2002)

«Paz» não tem nada a ver com um sentimento oposto à guerra. «Também não tem a ver com paz de espírito ou maturidade. Tem a ver com emoções, um estado superior de existência. Energia, conhecimento e vida. Uma vida acima dos valores materiais. Tem a ver com o que está ainda por vir. Algo posterior, estimulante e sobrevivente aos pequenos apocalipses que vão acontecendo na actualidade e que têm aumentado de forma gradual nos últimos anos», refere Eugénia.

entrevista de Filipe Rodrigues da Silva / Diário Digital


- Porque é que chamou «Paz» a este disco?

Para onde caminha a humanidade? Isto é o caos total. Nós vivemos mini-apocalipses. Essa história do ano 2000, do apocalipse... Qual apocalipse? O século XX foi o século dos mini-apocalipses constantes, permanentes. A cada segundo morrem crianças com fome, gente morre em guerras, acidentes naturais... estamos a matar o planeta. Isto não é um apocalipse? Esta paz de que falo é uma paz de esperança num futuro longínquo, porque acredito que a humanidade cresça na inteligência. Aquele desenho da Fernanda Fragateiro na capa do disco, com aquele bonequinho triste, e depois a minha fotografia já a olhar para cima representam o real e o irreal, a tristeza e a alegria, os dois pólos que, na minha opinião, deveriam ser os motores da vida. A tristeza e a alegria, e não a fome e o excesso, por exemplo. Porque há uma tristeza criativa, quando se trata de uma dor interna de questionamento e não de uma dor que venha de flagelos sociais.

Entrevista de Jorge Lima Alves / Expresso, 2003

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cadói

Cadói - Júlio Pereira (Transmédia, 1984)

O título do disco, "Cadói", não tem nenhum significado metafísico, e é pena não passar de um nome de aldeia portuguesa pois podia proporcionar uma quantidade de leituras interessantes. Reduzida esta hipótese a crítica não tem outro remédio que julgá-lo pela música e um pouco pelas palavras do autor que não pensa justificá-la, mas permitir que corra por si.

Texto de Rui Monteiro / Blitz, 11/12/1984

imagem:http://rateyourmusic.com/release/album/julio_pereira/cadoi.p/

O autor viaja muito até Braga e repara numa tabuleta que indica Cadoi. É o nome de uma aldeia do Minho.

(Capa de Graça Morais)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Posta-Restante


Posta-Restante - Chuchurumel (Ed. Autor, 2007)

Em finais de Março de 2007 sairá "Posta-Restante", o segundo disco de Chuchurumel. Cada tema (e são treze) será endereçado a alguém, como se de uma carta se tratasse (daí o nome do disco). São cartas musicais dirigidas a pessoas que, ao longo do nosso trabalho, de uma forma ou outra, nos têm marcado: desde informantes anónimos até Giacometti ou Lopes-Graça.

César Prata, 11/02/2007

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Best Of

Best Of - Gomo (Universal, 2004)
- Não receia que o chamem pretencioso por lançar o primeiro disco com o título de ‘Best Of’?
Sei que muitos pensam isso de mim. Em relação a qualquer outro artista, eu próprio acharia esse título pretencioso. Mas, no meu caso, as coisas podem ser vistas de outra forma por tudo o que está para trás de Gomo, as maquetas, as músicas e as letras. Gomo é muito virado para o humor e ‘Best Of’ é mais um recurso humorístico e mais uma forma de gozar comigo próprio.

Entrevista de Miguel Azevedo, Correio da Manhã, 20/02/2004

"Greatest Hits" já era o nome de uma maqueta dos Orange, antiga banda de Paulo Gouveia.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tree Of Life


Tree Of Life - José Castro (Sargaçal/Musiactiva, 2005)

"Tree of Life" é um álbum estranho que tanto inclui pop electrónica como temas épicos à Peter Gabriel, guitarra portuguesa e acordeão, música brasileira, cabo-verdiana e, eventualmente, mensagens ecologistas. Estranho mesmo, mas um pouco menos quando se ouvem as explicações de José Castro.

Numa das canções de "Tree of Life", "Melting Man", José Castro canta sobre um «homem que derrete antes de ficar árvore», conceito que é desenvolvido visualmente nas fotografias do disco. E é essa «fusão» que assombra todo o álbum: homem/natureza, magia/realidade, músicas de agora/sonoridades ancestrais. "Tree of Life" é um disco conceitual - o primeiro de uma trilogia -, onde poderiam constar os nomes de Peter Gabriel, Brian Eno e David Byrne. Mas não; consta lá o de José Castro, cantor e compositor português que reconhece a sua admiração por esses nomes, «pelo rock progressivo, pela música ambiental» e por músicas étnicas.

Mas as suas raízes, curiosamente, estão em áreas bastante distantes: «na adolescência fiz parte de bandas de hardcore e de death-metal, sempre a tocar bateria. Depois passei para a guitarra. E foi há quatro, cinco anos, que comecei a desenvolver este projecto a solo». Um projecto cujo conceito foi sendo desenvolvido ao longo dos anos e que teve como molas fundamentais alguns momentos da vida de José Castro: «Fiz um filme, na sequência de um curso de vídeo, chamado "A Porta do Bosque", baseado em textos de Jorge Guimarães. Era um diálogo de uma árvore com o Homem e as suas diferenças. E, depois, em Londres, fui jardineiro de profissão». Essa ligação temática da sua obra às árvores pode fazer pensar em ideais ecologistas mas José Castro diz que «isto não é uma coisa ecológica, embora tenha essa vertente. A ideia é o Homem "estar parado" - como as árvores - mas nem é tanto parar para pensar, é mais parar para sentir». Musicalmente, José Castro diz que «tudo pode entrar na minha música, desde que faça sentido e seja verdadeiro. A música começa com uma raiz e desenvolve-se a partir daí. No tema "Mocambo", que tem a ver com a Madragoa, faz sentido que haja ali uma guitarra portuguesa».

No álbum, José Castro toca muitos instrumentos (de guitarra a percussões passando por tubos PVC, banjo indiano, bandolim, baixo, flautas...) e participam - entre outros - o acordeonista Gabriel Gomes (Sétima Legião/Madredeus/Tjak...) e Bernardo Couto em guitarra portuguesa. Ao vivo, José Castro é acompanhado por uma banda de amigos - «com os quais aprendo imenso; eles são todos melhores músicos do que eu» - formada por Bernardo Barata (guitarra), com quem José Castro já tinha tocado «nas tais bandas de hardcore», músicos dos TV Rural e dos Oioai e «uma pianista de formação clássica nos teclados», Joana Vaz. As sementes estão lançadas.

Texto e entrevista de António Pires/Blitz, Fevereiro de 2005

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Taco a Taco


Taco a Taco - Amélia Muge (Polygram, 1998)

Há uma espécie de ideia fundadora no caminhar do TACO A TACO: a relação Homem-tecnologia e as suas marcas na comunicação, ns significados e nos símbolos ao longo dos tempos. Os temas, ps desenhos, foram-me ajudando a pensar em coisas (...)

(...) descobrem-se relações entre os temas, s arranjos que os desenvolvem, as imagens à sua volta, criando tudo isto já novas pistas de trabalho. É um mundo de provocações, meórias, competências, que se vai organizando, que nos interroga, que se vais adesando de colaborações.

Hoje, TACO A TACO, embora tenha como lado mais visivel a proposta musical registada em CD com este nome, é acima de tudo um projecto que se deseja contaminar pelos diversos pulsares artísticos e técnicos vindos de deiferentes áreas e matérias de expressão-comunicação.

Em "Taco a Taco" com os jurados do Prémio José Afonso, MPP. 1999

terça-feira, 6 de abril de 2010

Ser Solidário

Ser Solidário - José Mário Branco (Edisom, 1982)

“Ser Solidário”/”Ser Solitário”. A alternância do “d” e do “t” não é original. José Mário Branco inspirou-se num conto do romancista existencialista francês Albert Camus “sobre o absurdo”. “É o percurso interior de um pintor que, à medida que avança na concepção e na depuração ético-estética da sua arte, se vai deixando tomar por um processo de esquizofrenia e isolar do mundo, da família, de todos. Até que fica isolado no sótão da casa, com as suas tintas e as suas telas, e já não sai de lá, nunca mais. Depois de muito tempo sem saberem dele, alguém resolve entrar naquele sótão e encontra-o já morto. No cavalete, está uma tela toda pintada de branco com uma assinatura que não é uma assinatura mas uma palavra, ‘solitaire’ ou ‘solidaire’, não se percebe se é um ‘t’ ou um ‘d’.” A capa de “Ser Solidário” é negra.

Entrevista de Fernando Magalhães / Público, 14/02/1996

segunda-feira, 5 de abril de 2010

The Lost Tapes

The Lost Tapes - Bulllet (Loop, 2002)

O nome dele é Teixeira, Armando Teixeira. Mas ao longo dos anos tem sido também o principal rosto de projectos como Ik Mux, Bizarra Locomotiva, Boris Ex-Machina, Balla e, agora, Bulllet. Durante anos fez também parte dos Da Weasel, grupo que abandonou o ano passado, e ainda em 2002 vai vestir a pele de Knock-Knock, um projecto de colaboração com o desenhador de BD António Jorge Gonçalves.

Para já é Bulllet e "The Lost Tapes" é o título do álbum de estreia do novo projecto. Mas é também Vladimir Orlov, o principal protagonista da história imaginária que atribui sentido ao disco. Um espião russo, treinado pelo KGB, que tem como nome de código Bullet. A sua missão é registar movimentações numa base naval da NATO, situada na Turquia, em plena guerra fria.

Rui Miguel Abreu foi quem imaginou a trama narrativa de "The Lost Tapes". "Foi como criar a banda-sonora para um filme. Só que em vez de um filme e imagens, tínhamos um guião e palavras", afirma Abreu. Por sua vez, Armando Teixeira, inspirado pelos motivos da história, imaginou a música, inspirado em alguns dos mandamentos rítmicos do hip-hop ou do dub e nas colorações vivas do jazz, do funk e do easy-listening. O que daí nasce é um dos discos portugueses mais consistentes dos últimos tempos.

- Balla e Bulllet. Para além de ser o mentor de ambos os projectos, existe alguma ligação entre os dois?

Existe qualquer coisa, sem dúvida, ambora não consiga identificar com precisão essa ligação. Por exemplo, em termos de sonoridade, alguns temas de Bulllet, se tivessem sido desenvolvidos como canções, podiam ser dos Balla. Algum do material de Bulllet tem já um ano, enquanto o restante foi composto há cerca de um mês. Ou seja, alguns temas de Bulllet nasceram quando estava a criar o álbum dos Balla.

- Como é que se processou a triagem? Os temas instrumentais foram colocados de lado para fazerem parte do álbum de Bulllet?

Não, até porque tenho temas instrumentais que também não se adequam à ideia que está por trás de Bulllet. Por isso, optei pelos temas que, de alguma forma, tinham a ver com a história que estávamos a desenvolver. Faixas que pudessem justificar a narrativa, atribuir-lhe sentido. Por outro lado, em termos sonoros, optei pelos temas que tinham um cariz mais hip-hop.

- Como é que surgiu a ideia de criar um disco a partir de um guião pré-definido, com uma personagem e uma história por trás?

A ideia foi do Rui Miguel Abreu, foi ele que me convenceu. Nunca tinha pensado em criar música dessa forma, mas agradou-me o desafio. Por exemplo, a segunda faixa do álbum contém elementos de hip-hop, electrónica e apontamentos americanos que não estão lá por acaso. Estão lá para dar essa ideia muito precisa de que estamos a ouvir músicos americanos influenciados pelos blues e soul. Esse tema é um exemplo de uma faixa criada com um objectivo concreto, para dar uma certa atmosfera.

- Quer dizer então que todos os temas foram criados tendo em atenção o fio narrativo da história?

A maior parte, sim. A escolha dos "samples", a forma como toco os teclados, as sonoridades que procuro, tudo isso define um ambiente que nos transporta para uma determinada época. E isso não é casual, foi procurado. De qualquer maneira, cerca de 30 por cento dos temas já estavam feitos porque se encaixavam no conceito. Mas mesmos esses foram retrabalhados e reavaliados. Existiu um processo de adptação dos temas à história, embora por vezes essa adequação fosse inconsciente. O guião existe na minha cabeça e do Rui, mas quem tiver de fora do processo provavelmente não o vai reconhecer da mesma forma.

Entrevista de Vitor Belanciano / Público, 11/07/2003

imagem: http://rateyourmusic.com/release/album/bulllet/the_lost_tapes/

sexta-feira, 2 de abril de 2010

New Communities for Better Days

New Communities for Better Days (Metrodiscos/Som Livre, 2007)

– O novo álbum dos Hipnótica chama-se “New Communities for Better Days”. Que novas comunidades são essas?

João Branco – Primeiro, este disco é em si uma experiência comunitária que marcou uma inversão no rumo das coisas em termos de criatividade e de sabermos concretizar aquilo que já tínhamos discutido muitas vezes. Segundo, está tudo relacionado com o facto de existir uma série de meios ao teu alcance que podem potenciar e aproximar comunidades artísticas e não só. É bastante centrado na relação entre as pessoas que agora deixou de estar condicionada pelo factor geográfico e pela necessidade de presença física. Não exploramos o lado virtual da coisa e a história da “second life”. Apenas questionamos o que é que a tecnologia nos pode trazer de bom e manifestamos o desejo de começar a usufruir de uma certa bi-direccionalidade que até há pouco tempo não existia com a rádio ou a televisão.

Entrevista de Hugo Amaral / divergencias.com

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Vida de Um Dia


A Vida de Um Dia - José Peixoto (União Lisboa, 1998)

- Há alguma razão especial para a escolha do título?

"A Vida de Um Dia" pode ser um despertar de várias maneiras. É um espaço aberto para o interior. Para o infinito que pode ser o tempo. A medida do tempo é uma coisa muito relativa. A vida de um dia pode ser um todo. Onde cabe tudo
Entrevista de Fernando Magalhães / Público 17/07/1998