sábado, 28 de agosto de 2010

Música Exótica Para Filmes, Rádio e Televisão

Música Exótica Para Filmes, Rádio e Televisão - Cool Hipnoise (Nortesul, 2000)

- O título do álbum tem algum significado especial?

T. - A ideia surgiu no final e relaciona-se com a citação do Álvaro de Campos. Mais uma vez trata-se de atribuir alguma unidade ao produto final. Quando iniciámos o álbum não tinhamos nenhum conceito para ele, mas curiosamente no final as coisas fizeram sentido. O termo "música exótica" surgiu depois de constatarmos que nos anos 50 músicos e orquestras ocidentais tentavam recriar sonoridades de outras culturas. De alguma forma é isso que nós fazemos. Criámos música que se relaciona com imensas referências que não têm nada a ver com a nossa música de origem.

Entrevista de Vítor Belanciano / Público, 26/05/2000

«O maior artista será o que menos se definir e o que escrever em mais géneros com mais contradições e dissemelhanças. Nenhum artista deverá ter só uma personalidade, dissipando assim a ficção grosseira de que é uno e indivisível» (Álvaro de Campos, in «Portugal Futurista»).
- Porquê este nome para o disco? Dá a ideia que gostam de identificar os trabalhos nos títulos que escolhem: "Nascer do Soul", "Missão Groove", "Música Exótica".

T.S.: Procuramos dar algumas pistas – temos consciência que a música que fazemos não é a música que as pessoas estão habituadas a ouvir no dia no dia, ou que faça parte de uma tradição da rádio ou da televisão.

J.G.: Teve a ver também com uma tentativa de unificar e, depois do trabalho feito, tentar perceber qual era o resultado e porque é que tínhamos feito assim. E vem tudo da nossa procura de ritmo e de paisagens exóticas. Por outro lado, tem a ver com os discos que se faziam nos anos 50 – aquela parte da catalogação. Eram os library records. A seguir a cada tema, vinha a descrição da música.

- Por isso é que fizeram também a descrição dos temas?

J.G.: Sim. As pessoas antes de ouvirem, podem escolher conforme o que lhes apetecer ouvir.

Entrevista de Rosário Nunes / Oninet, 02/08/2000

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sweet Moods And Interludes

Sweet Moods And Interludes - Coldfinger (Lisbon City Records, 2002)

O segundo álbum dos Coldfinger, "Sweet Moods and Interludes", chega ao mercado quando a editora que até agora tinha publicado todos os seus discos, a Norte Sul, se encontra num processo de reestruturação. Sem companhia discográfica que editasse a sua obra, Miguel Cardona e Margarida Pinto assumiram a edição de autor (com distribuição Zona Música) e lançaram um novo selo, a Lisbon City Records. "Sweet Moods and Interludes" também tem a ver com as circunstâncias em que foi produzido; os próprios anunciavam, em comunicado de impressa, que "as bobinas com as gravações deste disco foram encontradas no interior de um carro aparentemente abandonado junto ao rio Tejo". Uma imagem que foi sendo detalhada ao longo desta conversa em que os Coldfinger não desmentem um certo regresso às bases.

"A história das bobinas serve como mote para o trabalho", começa por explicar a cantora e letrista Margarida. "É uma metáfora que se pretende criar relativamente à situação em que nos encontrámos como pessoas e como músicos. Defrontámo-nos com um certo abandono no panorama musical português no que respeita aos meios disponíveis para fazer a nossa música chegar às pessoas. O carro somos nós, os músicos, a força criativa. As fitas que lá estão dentro são as nossas canções. Neste caso, as canções do 'Sweet Moods and Interludes' estão à disposição de quem quiser abrir o carro, levá-las, fechar o carro, enfim, fazerem o que quiserem."

Apesar de Miguel Cardona e Margarida Pinto terem constituído desde sempre o núcleo duro dos Coldfinger, a sua formação alargou-se por alturas da edição do primeiro álbum, passando a compreender músicos como Adriano (baixo, Ithaka), Sérgio Nascimento (baterista, Despe & Siga), João Cardoso (teclista, Despe & Siga), DJ Cruzfader (giradisquista), Joe Fossard (produtor). Por ora encontram-se apenas em palco, até porque "Sweet Moods..." foi também gravado, na sua quase totalidade, nos Speedfreak Studios, isto é, o estúdio particular dos Coldfinger. Um exemplo de faça-você-mesmo radical.

"Não deixando de fazer justiça à dedicação que todas essas pessoas tiveram pelos Coldfinger, o projecto já funcionava como o meu laboratório, pelo que pude aprender muito com todas elas. Durante alguns anos fizeram parte da família Coldfinger. Mas este disco quebra com isso devido às circunstâncias em que foi gravado, e apesar do afastamento de todas essas pessoas se dever a razões muito diferentes. Este disco é muito diferente dos anteriores, não só porque foi feito exclusivamente por nós dois mas porque desapareceram as editoras, os A&R, os músicos, os palcos, as agências, as bejecas, as festas, os 'roadies', o pessoal e a animação. Regressámos um pouco à base, à forma como eu e a Margarida fizemos a primeira maqueta".

As circunstâncias extremas que levaram à composição e gravação de "Sweet Moods..." tiveram, obrigatoriamente, influência nas 16 canções que fazem parte do alinhamento. Menos densas e sombrias do que as do primeiro álbum, não deixam de revelar "uma certa ânsia e uma pressa de acabar o disco" apesar de abrir espaço para a aplicação de vários conceitos feita "a posteriori". Miguel Cardona fala dos polimentos finais: "Este disco deu-nos tanto prazer que nos demos ao luxo de encaixar todas as canções ou de criar interlúdios que contribuíssem para um certa narrativa, de modo que começámos a vê-lo quase como um filme. No fim encontrámos até, com surpresa, alguns registos autobiográficos." Mas Margarida é peremptória: "Acabámos por dominar muito mais o produto final."

Texto e entrevista de Miguel Francisco Cadete / Y-Público, 16/08/2002

sábado, 7 de agosto de 2010

The Jinx

The Jinx - Corvos (200)

- O que significa o invulgar título? Tem alguma história?

"The Jinx" foi um nome proposto pelo nosso produtor, Luís Jardim. Trata-se de um pequeno diabrete que nos acompanha e que tem feito de tudo para complicar e atrasar o crescimento dos Corvos, desde acidentes de viação a problemas com os estúdios de gravação – houve realmente um pouco de tudo. Por isso, decidimos adoptá-lo e dedicar-lhe este álbum, por todo o trabalho que ele tem tido connosco e que, no fundo, nos tornou mais maduros.

Entrevista de Filipa Queirós/Rascunho.net, 17/01/2008

Música Moderna

Música Moderna - Corpo Diplomático (Nova, 1979)

“Música Moderna”, desde o título à estética da capa, uma reprodução de um cartaz de propaganda do Partido Comunista Chinês, procurou ser um manifesto de diferença e de ruptura contra, por um lado, o niilismo violento e, por vezes, sem nexo do “Punk” e, por outro, o lastro dos “sinfónicos”, que em Portugal sobreviveram para além do tempo devido na pessoa dos Tantra.

Dos Corpo Diplomático pode-se dizer que foram um dos poucos grupos aos quais a classificação “new wave” se aplicava com justiça. À energia e irreverência do “punk”, acrescentaram uma atitude diferente, de maior distanciamento e com outro tipo de linguagem, que os fazia identificarem-se com a chamada “cold wave” ou “afterpunk”, para utilizar o termo então inventado por Yves Adrien nas páginas da “Rock & Fok”.

Texto de Fernando Magalhães / Público, 15/03/1995
http://poeira-cosmica-fm.blogspot.com/2008/11/corpo-diplomtico-msica-moderna.html

Rimar Contra A Maré

Rimar Contra A Maré - Boss AC (NorteSul, 2003)

- Qual é o significado de "Rimar contra a Maré"?

O álbum é um recado para mim mas com o qual tu também te podes identificar. Há lá músicas que eu ponderei até é que ponto é que eu as punha porque são músicas escritas quase como escape (...). O "Rimar contra A Maré" é o trocadilho do remar contra a maré, porque no fundo é o que eu tenho feito. É só obstáculos, por cada porta que se abre são duas que se fecham.

- Quem ou o qué a maré?

A maré é tudo o que me rodeia. A maré são as editoras, as rádios, os média, as pessoas que eu pensava que estavam comigo e não estão, são as pessoas que me endeusavam e que depois do "Mandachuva" sair eu sou o inimigo. Isto tudo tem sido a maré. A verdade é que com todas essas marés eu ainda estou de pé.

Entrevista de Ana Ferreira / Hip Hop Nation