Música Exótica Para Filmes, Rádio e Televisão - Cool Hipnoise (Nortesul, 2000)
- O título do álbum tem algum significado especial?
T. - A ideia surgiu no final e relaciona-se com a citação do Álvaro de Campos. Mais uma vez trata-se de atribuir alguma unidade ao produto final. Quando iniciámos o álbum não tinhamos nenhum conceito para ele, mas curiosamente no final as coisas fizeram sentido. O termo "música exótica" surgiu depois de constatarmos que nos anos 50 músicos e orquestras ocidentais tentavam recriar sonoridades de outras culturas. De alguma forma é isso que nós fazemos. Criámos música que se relaciona com imensas referências que não têm nada a ver com a nossa música de origem.
Entrevista de Vítor Belanciano / Público, 26/05/2000
«O maior artista será o que menos se definir e o que escrever em mais géneros com mais contradições e dissemelhanças. Nenhum artista deverá ter só uma personalidade, dissipando assim a ficção grosseira de que é uno e indivisível» (Álvaro de Campos, in «Portugal Futurista»).
- Porquê este nome para o disco? Dá a ideia que gostam de identificar os trabalhos nos títulos que escolhem: "Nascer do Soul", "Missão Groove", "Música Exótica".
T.S.: Procuramos dar algumas pistas – temos consciência que a música que fazemos não é a música que as pessoas estão habituadas a ouvir no dia no dia, ou que faça parte de uma tradição da rádio ou da televisão.
J.G.: Teve a ver também com uma tentativa de unificar e, depois do trabalho feito, tentar perceber qual era o resultado e porque é que tínhamos feito assim. E vem tudo da nossa procura de ritmo e de paisagens exóticas. Por outro lado, tem a ver com os discos que se faziam nos anos 50 – aquela parte da catalogação. Eram os library records. A seguir a cada tema, vinha a descrição da música.
- Por isso é que fizeram também a descrição dos temas?
J.G.: Sim. As pessoas antes de ouvirem, podem escolher conforme o que lhes apetecer ouvir.
Entrevista de Rosário Nunes / Oninet, 02/08/2000