segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Lustro

Lustro - Clã (EMI, 2000)

– Donde vem o nome, "Lustro", tem a ver com experiência, com marcas do tempo…

MA – Tem a ver com a ideia de luta de opostos, contrastes, que descobrimos nas músicas. E descobrimos essa palavra – que é tão bonita quando escrita – que tem em si o lustro do veludo, das coisas mais nobres, como tem também o brilho das calças de ganga coçadas, do suor, do brilho de uso.

HG - Uma espécie de um espelho de matéria orgânica…

Entrevista de Sandra Oliveira/Noticias Magazine

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CONtradições

Contradições - Claud ()

- Diz que "CONtradições" é mais que um disco, é um passaporte para cantar e uma alegria para quem o ouve. Quer explicar melhor estas "ideias"?

Quando digo que "CONtradições" é mais que um disco, quero dizer que ele não nasce só da vontade de ter um disco gravado e sim a possibilidade que ele traz de ser tocado ao vivo, com tudo de bom que isso tem e que ao mesmo tempo traga alegrias a quem o ouve. Um disco para mim é um passaporte para a realização de várias coisas, desde todo o processo de criação, gravação, até ao espectáculo.

- Este disco chama-se "CONtradições". Porquê?

Vou explicar o nome do disco como já disse várias vezes, "CONtradições" pretende explicar todo o desenho musical do projecto, que no fundo passa pela CONtradição entre a música tradicional e os seus instrumentos com a música electrónica e COM tradições Portuguesas. Não sei se o nome explicou esta ideia, espero que sim...

Entrevista de Portugal Rebelde, 16/08/2007

Noah"s Ark of Pain

Noah"s Ark of Pain - The Guys From The Caravan (iPlay, 2008)

- De onde saiu o título "Noah’s Ark of Pain"?

Inicialmente a ideia era não dar sequer título ao primeiro álbum... tínhamos facilidade em explicar cada uma das músicas, mas alguma dificuldade em explicar o todo que representava o álbum. Surgiu "Noah’s Ark of Pain". É um verso da "Worms in my head", que é um dos desabafos do álbum, uma música que fala precisamente dos fantasmas que cada um acaba por carregar e alimentar. Nós sentíamos que o álbum acabava por ser uma colecta de histórias mais ou menos reais, mais ou menos mastigadas e traduzidas em versos. A ideia de arca poderia ser também uma caixa de pandora, mas a questão da colecção acaba por ser importante.

Entrevista site Rascunho.net, 13/10/2008

Preto No Branco

Preto No Branco - Boss AC (Farol, 2008)

"Preto No Branco" acaba por ser provocatório, chama a atenção para o problema da raça. O engraçado é quando te tornas o Boss AC, é como se já não tivesses cor. Por outro lado, é no sentido em que não há dúvidas. Não há fórmulas comerciais. senão era só juntar água e estávamos todos ricos.

Entrevista de Ricardo Pereira e Nuno Fatela, Maxmen Outubro 2008

terça-feira, 5 de outubro de 2010

The Remixes

The Remixes - Camarão (Loop, 2005)

- Para começar, há algum motivo especial para a mudança de Shrimp para Camarão? Que efeitos podem ter a "nacionalização" do nome?

A mudança está relacionada também com a mudança de editora e no fundo com alguma mudança na própria música. Em relação aos "efeitos" penso que há uma espécie de "começar de novo" que pode ser saudável e quanto à "internacionalização" do nome não há nada a temer: Camarão diz-se bem em todas as linguas!

- The Remixes. Podes falar acerca do título do teu último disco e do seu significado?

The Remixes refere-se ao modo como as músicas do meu último disco foram criadas. O método de trabalho foi o mesmo que uso quando remisturo uma música, mas aqui com a diferença de que em vez de remisturar uma música para fazer outra, parti de várias para fazer uma. No fundo, peguei na minha colecção de discos e "remisturei-a" criando um disco novo que poderá de alguma forma ser o retrato da minha colecção.

- Como foram os tempos de concepção de Remixes? Quanto teve de avanços, quando teve de recuos?

O disco começou a ser feito logo em 2002. Depois do disco Electric Sul, estive uns tempos de "quarentena" sem fazer música. Nesses meses, peguei pacientemente na minha colecção de discos e fui samplando algumas partes, construindo uma base de sons que mais tarde iria ser a matéria-prima do The Remixes. No inicio de 2003, alguns alunos meus, sabendo que eu fazia música, pediram-me uns "beats" para rimarem por cima. Fiz 4 músicas a partir dessa base de sons. O Nuno Rosa ouviu e aconselhou-me a mostrar as músicas ao Rui Miguel Abreu da Loop. Não o fiz logo e preferi então fazer mais músicas. Fui trabalhando em várias músicas (por volta de 30 ou mais) ao longo de 2003. Naturalmente que destas 30, ouve um conjunto que se começou a destacar. Apresentei então este conjunto de músicas ao Rui, que de imediato me convidou para as editar na Loop. 2004 foi um ano de definição do álbum onde começaram a entrar também os músicos convidados. A fase das misturas foi já no fim de 2004 e inicio de 2005. E o álbum saiu então em Maio de 2005.

Entrevista de André Gomes / Bodyspace.net, 13/02/2006